O Flamengo vive dias de emoções bem distintas nos seus bastidores. No futebol profissional, a equipe chega voando para encarar o Grêmio. O time principal engatou uma quinta marcha na temporada, acumulando cinco vitórias consecutivas que deixam o ambiente no Maracanã com a moral lá em cima para o duelo desta quinta-feira (13/06), às 20h. O que está em jogo não é pouca coisa: os comandados de Tite estão de olho diretamente na liderança do Brasileirão, bastando fazer o dever de casa para ter a chance de assumir a ponta.
Se olharmos pro retrovisor recente, o Tricolor gaúcho tem sido um adversário extremamente acessível para os cariocas. Uma verdadeira pedra no sapato, só que do lado de lá. Para se ter uma ideia do tamanho dessa freguesia, nos últimos 15 confrontos disputados de 2018 para cá — somando Brasileirão, Copa do Brasil e até Libertadores —, a fatura é indigesta para o time de Porto Alegre. Foram dez vitórias do Flamengo contra apenas duas do Grêmio, sobrando três empates no meio do caminho. Aquele histórico 5 a 0 na Libertadores de 2019 e as goleadas recentes na Copa do Brasil mostram que o roteiro costuma pesar a favor do Rio de Janeiro.
Mas o futebol não é uma ciência exata e Tite vai precisar quebrar a cabeça para manter essa hegemonia. O jogo promete ser encardido puramente pela quantidade de desfalques de peso que esvaziam o Ninho do Urubu nesta Data-Fifa. Arrascaeta, De La Cruz, Viña, Varela e Pulgar arrumaram as malas para defender suas seleções e sequer foram relacionados. Para piorar a dor de cabeça da comissão técnica, Ayrton Lucas e Allan continuam no estaleiro se recuperando de lesão. Vai ser um teste pesado de profundidade de elenco, exigindo que as peças de reposição segurem a bronca da liderança.
E se no profissional a expectativa é de festa e topo da tabela, lá no José Bastos Padilha, na Gávea, a molecada do Sub-17 experimentou o gosto amargo da derrota nesta mesma semana. Pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro da categoria, na terça-feira (16), o Atlético-MG desceu para o Rio e fez o crime sem pedir licença. O Galinho bateu o Flamengo por 3 a 1 num jogo onde a eficiência mineira ditou o tom desde o apito inicial.
Os visitantes não deram respiro. Com seis minutos de bola rolando, Vinícius R. já tinha balançado as redes. A defesa rubro-negra parecia atônita e o estrago aumentou aos 12 minutos com G. Veneno ampliando o placar. O Atlético, sob o comando do técnico Rafael Paiva, soube jogar com a vantagem debaixo do braço e encontrou espaços para matar o jogo ainda no primeiro tempo. Aos 37, Callegario achou um passe na medida para G. Veneno guardar o segundo dele no jogo e o terceiro do Galo.
Na volta do vestiário, o Flamengo do treinador Daniel Franklin até esboçou uma reação furiosa. Logo no primeiro minuto, o camisa 10 da Gávea diminuiu o prejuízo, acendendo uma faísca de que uma virada heroica seria possível. Ficou só na promessa. Os mineiros souberam cozinhar a partida, controlando o ímpeto carioca até o fim para garantir sua primeira vitória nesta edição do torneio, saltando para cinco pontos na tabela de classificação.
Para quem curte dar um zoom nas escalações, o Galo se estruturou com Guilherme Pires na meta; Samuel R., Ícaro, Vieira e Callegario segurando a linha de trás. O meio teve Enzo Estevão (que cedeu lugar a Alexsandro), João Guilherme (substituído por Miguel Barros) e Gomide. Na frente, Marcos Moterani (Marcos Heitor), Vinícius R. (Davi) e o matador G. Veneno. A equipe saiu do Rio amarelada (Moterani, Guilherme Pires, Ícaro e Callegario foram advertidos), mas com o triunfo na bagagem para encarar o Palmeiras na próxima terça-feira (23), às 15h, no SESC/Venda Nova. Do lado flamenguista, a formação inicial teve Bruno Silva; Bernardo Nunes, Paulo Silva, Daniel Silva e Samuel Silva; Ykaro Silva, Lucca Tatsch e Guilherme Ivo; com João Vitor Couto, Luiz Guilherme e Davi Fraga no ataque. Uma tarde para a base repensar a rota, enquanto os veteranos do profissional tentam não deixar o embalo cair.