Em um confronto marcado pelo equilíbrio tático e pela intensidade física, Osasuna e Athletic Bilbao empataram em 1 a 1 na tarde deste sábado, no estádio El Sadar. O resultado refletiu com precisão o que se viu em campo: uma disputa acirrada pela posse de bola — que terminou quase dividida, com uma leve vantagem para os visitantes (51,5%) — e defesas que trabalharam dobrado para conter os ataques adversários.
O brilho de Guruzeta e a resposta dos donos da casa
A partida ganhou contornos de drama no segundo tempo. O Athletic Bilbao, que vinha martelando a meta defendida pelos donos da casa, conseguiu furar o bloqueio aos 26 minutos da etapa final. Nico Williams, sempre perigoso pelo lado esquerdo, serviu de garçom para Gorka Guruzeta. O atacante não perdoou e, com uma finalização precisa de pé direito do meio da área, estufou as redes para colocar os bascos na frente.
A comemoração dos visitantes, no entanto, não durou tanto quanto planejado, pois o Osasuna demonstrou a resiliência característica de quem joga sob seus domínios. Pouco antes do gol, Lucas Torró já havia assustado ao carimbar a trave direita, dando o aviso de que o time de Pamplona estava vivo no jogo. O empate veio para selar a divisão de pontos em um duelo onde ninguém aceitou a derrota passivamente.
Tensão e cartões no terço final
O terço final do jogo foi marcado por uma sucessão de faltas e cartões, evidenciando o nervosismo das equipes na busca pela vitória. Nomes como Alejandro Catena e Jorge Herrando foram advertidos pela arbitragem após entradas mais duras, enquanto os técnicos mexiam no tabuleiro para tentar o golpe de misericórdia. O Osasuna apostou em Raúl García e Moi Gómez, enquanto o Athletic trouxe Alex Berenguer e Robert Navarro para renovar o fôlego ofensivo.
Nos acréscimos, a pressão aumentou. Raúl García teve a chance da virada em uma cabeçada perigosa, mas a bola insistiu em não entrar. Do outro lado, o Athletic bloqueou finalizações cruciais e tentou explorar os contra-ataques, mas o placar permaneceu inalterado até o apito final de Alejandro Quintero.
O fator Herrera e o fim do tabu histórico contra o Real Madrid
Se o empate contra o Athletic foi um teste de paciência, a atmosfera em Pamplona ainda ecoa a euforia de um feito recente e muito mais grandioso: a vitória épica sobre o Real Madrid, que encerrou um jejum de 15 anos. Naquela ocasião, o protagonista não foi apenas o autor do gol, mas o goleiro Sergio Herrera, uma figura que personifica a alma do Osasuna.
A loucura consciente de um ídolo
Herrera é o tipo de jogador que a torcida adora e os rivais amam odiar. Com 91 defesas na temporada — marca superada apenas por Aarón Escandell, do Real Oviedo —, ele combina técnica com uma personalidade explosiva. Após o gol decisivo de Raúl García contra os merengues, Herrera protagonizou uma cena inusitada: saltou as placas de publicidade para celebrar com a torcida, antes mesmo da confirmação do VAR.
O goleiro, que na infância era apelidado jocosamente de “Canillas” (canelas finas) em alusão ao seu ídolo Iker Casillas, hoje é um gigante sob as traves de El Sadar. “Positivamente louco”, como ele mesmo se define, Herrera foi o pilar emocional de uma vitória que não ocorria desde janeiro de 2011.
Um novo capítulo para o Osasuna
Vencer o Real Madrid de Thibaut Courtois e resistir ao ímpeto do Athletic Bilbao mostra que o Osasuna atual não é apenas um figurante no Campeonato Espanhol. Sob o comando de figuras carismáticas e um elenco que luta por cada centímetro de grama, o clube de Pamplona reafirma sua identidade. Como bem lembrou Álvaro Arbeloa, técnico adversário que conhece bem as armadilhas de El Sadar: vencer ali nunca é uma tarefa simples. Para os torcedores, momentos como esses, regados a suor e superação, valem cada segundo de espera.