Jovem promessa alcança novo patamar no circuito ATP
Ben Shelton alcançou o maior feito de sua carreira ao conquistar seu primeiro título de Masters 1000 no ATP de Toronto, realizado na noite de quinta-feira (7), após uma vitória eletrizante sobre o russo Karen Khachanov. Com apenas 22 anos, Shelton se tornou o mais jovem tenista americano em duas décadas a levantar um troféu dessa categoria, alcançando ainda a sexta colocação no ranking mundial da ATP — a melhor de sua trajetória até agora.
Superação e frieza nos momentos decisivos
Conhecido por ser um jogador dominante quando está à frente no placar, Shelton mostrou nesta final que também sabe reagir sob pressão. A vitória por 6-7(5), 6-4 e 7-6(3) foi construída com base na persistência e na frieza do americano nos momentos mais críticos. No segundo set, salvou três break points consecutivos para empatar o jogo. Já no terceiro, mesmo jogando atrás durante boa parte da parcial, levou a decisão para o tie-break e garantiu o título ao vencer seu 14º ponto consecutivo no saque durante o desempate.
“É uma sensação surreal”, declarou Shelton após o triunfo. “Foi uma semana difícil, o caminho até a final não foi fácil. Meu melhor tênis apareceu quando mais precisei. Fui decisivo, resiliente e perseverante — tudo o que admiro em mim como jogador.”
Caminho até a final e título merecido
Antes de derrotar Khachanov, Shelton precisou superar grandes nomes do circuito, como Alex de Minaur (nº 8 do mundo) e o compatriota Taylor Fritz (nº 4), além de vencer disputados tie-breaks contra Brandon Nakashima e Flavio Cobolli. Este foi o terceiro título da carreira de Shelton, que já havia sido campeão em Tóquio (2023) e Houston (2024).
A final foi equilibrada do início ao fim. Ambos os jogadores venceram 49 pontos no primeiro set e 29 no segundo, com Shelton levando vantagem por 36 a 31 na parcial decisiva. Khachanov, por sua vez, foi dominante no início, com 10 winners de forehand, mantendo Shelton recuado. A mudança de postura veio com a orientação do pai e treinador Bryan Shelton, que incentivou o filho a jogar mais dentro da quadra, adotando uma postura ofensiva nos sets seguintes.
“Meu pai estava certo”, admitiu o jovem tenista. “O Karen estava me empurrando para trás, com um forehand pesado e muito saque. Parecia que um trem de carga vinha em minha direção. Foi desconfortável avançar, mas era necessário mudar.”
Estilo agressivo e torcida apaixonada
A conquista de Shelton não se destacou apenas pelo desempenho técnico, mas também pela conexão com o público. Durante toda a semana no Sobeys Stadium, seus aces e jogadas criativas foram acompanhados de gritos animados da torcida: “Manda outra, Ben!”. Cada dropshot bem executado e celebração vibrante consolidavam ainda mais seu status de favorito entre os fãs.
Apesar da euforia em quadra, Shelton foi contido na comemoração do título. Após selar a vitória no tie-break final, ele apenas abaixou a cabeça e levou o braço à testa, como se estivesse assimilando o momento histórico que acabava de protagonizar: seu primeiro título de Masters 1000.
Khachanov impõe resistência até o fim
Aos 29 anos, Karen Khachanov também teve um torneio marcante. Ele chegou à sua segunda final de Masters 1000 — a primeira desde 2018 — e obrigou Shelton a jogar no limite durante quase três horas de partida. O russo se mostrou sólido nos ralis e eficiente ao explorar os erros do adversário, como havia feito na semifinal contra Alexander Zverev.
Apesar da derrota, Khachanov valorizou o duelo e deixou o torneio com moral elevada, evidenciando sua consistência e bom momento na temporada.
“Tempestade perfeita” para Shelton
“Foi a tempestade perfeita para mim esta semana”, resumiu Shelton após a final, com o troféu ao lado no pódio. “Tive jogos longos, muito equilibrados, e joguei meu melhor tênis do ano. Vencer desse jeito, contra um adversário desse nível, é algo que me deixa extremamente feliz.”
A vitória representa mais do que um troféu: é a consolidação de Shelton como uma das grandes promessas do tênis mundial e um nome cada vez mais presente nas decisões dos principais torneios do circuito ATP.