A brasileira Luísa Stefani, atual número 13 do ranking mundial de duplas, já tem data e companhia para sua estreia na temporada. Ela vai disputar o WTA 500 de Adelaide, na Austrália, dividindo a quadra com a tcheca Marie Bouzkova. Essa parceria inédita acontece por um imprevisto médico. Gabriela Dabrowski, dupla fixa da brasileira para o ano, sentiu um pequeno incômodo no pé logo no início da pré-temporada e, por precaução, precisou abrir mão do torneio. A expectativa é que a canadense retorne a tempo de disputar o Australian Open, o primeiro Grand Slam da temporada, que tem início marcado para o dia 18.
Mesmo com a troca de última hora, Stefani e Bouzkova já conhecem o primeiro desafio na chave australiana. Elas encaram logo na estreia a parceria formada pela estoniana Ingrid Neel e a norueguesa Ulrikke Eikeri. Caso confirmem o favoritismo e avancem de fase, o caminho promete ser duro. As adversárias sairão do confronto entre as tchecas Tereza Valentova e Marketa Vondrousova contra as cabeças de chave número 4, a sérvia Aleksandra Krunic e a cazaque Anna Danilina.
Sufoco e superação nos Estados Unidos
Enquanto a gira australiana toma forma, a defesa do título de Jessica Pegula no Credit One Charleston Open segue viva, mas com uma dose altíssima de drama. A cabeça de chave número 1 garantiu sua vaga na terceira rodada nesta quinta-feira, fugindo totalmente de um roteiro tranquilo. Apenas vinte e quatro horas depois de sobreviver a uma verdadeira maratona de 3 horas e 10 minutos contra Yulia Putintseva, a tenista da casa precisou buscar uma virada improvável. Ela chegou a estar perdendo por 4 a 1 no terceiro set para a italiana Elisabetta Cocciaretto, 14ª favorita, antes de fechar o jogo com parciais de 1-6, 6-1 e 7-6(1), em 2 horas e 5 minutos de partida.
O desenrolar do set decisivo foi tenso. Pegula ficou a apenas dois pontos da eliminação quando sacava em desvantagem de 4 a 5. Foi justamente nesse momento crítico que a experiência pesou. A americana elevou o nível, venceu 11 dos últimos 12 pontos disputados e cravou seu espaço na décima quarta de final consecutiva no circuito da WTA Driven by Mercedes-Benz. Para se ter uma ideia de como a jogadora tem sido consistente, sua última eliminação antes de um top 8 aconteceu lá em agosto do ano passado, contra Magda Linette, no torneio de Cincinnati.
Confiança nas alturas e próximo desafio
O resultado suado apenas reforçou as estatísticas impressionantes de Pegula quando o assunto é set de desempate. Os números falam por si: ela ostenta agora 8 vitórias e apenas 1 derrota em jogos de três sets em 2026, com um histórico invejável de 17-4 desde o US Open. Ainda em quadra, a própria jogadora reconheceu a pedreira que enfrentou. Ela elogiou o nível de Cocciaretto e confessou que a derrota no último encontro entre as duas trouxe um peso mental para o jogo de hoje. Pegula pontuou que o saque funcionou na hora certa e que conseguiu encontrar bons padrões com seu backhand na paralela, golpes que, nas palavras dela, literalmente a salvaram nos momentos de maior pressão.
Agora, o foco de Pegula se volta totalmente para a próxima adversária. Ela vai medir forças com Diana Shnaider, sétima favorita do torneio, que simplesmente atropelou a nona cabeça de chave, Leylah Fernandez. Shnaider venceu de forma implacável com parciais de 6-3 e 6-0, em 1 hora e 25 minutos. Embora o placar sugira um passeio, a partida teve um nível técnico altíssimo, e quase todos os games da segunda parcial foram disputados até pelo menos 30-30. Shnaider, inclusive, protagonizou um dos lances mais espetaculares do torneio até aqui, acertando um forehand incrível em movimento para quebrar o saque de Fernandez e fazer 5 a 3 no primeiro set. Apesar do bom momento da rival, Pegula entra em quadra com a vantagem psicológica do retrospecto absoluto, já que lidera o confronto direto por 2 a 0, tendo superado Shnaider nas semifinais de Toronto e nas oitavas do US Open na temporada de 2024.