Em uma noite movimentada para o futebol, as atenções se dividiram entre a disputa acirrada no Brasileirão Série A e o clima de nostalgia e expectativa que tomou conta de Seul com a turnê da taça da Copa do Mundo. Enquanto no Mato Grosso o Cuiabá confirmou sua força em casa, do outro lado do mundo, o pentacampeão Gilberto Silva projetou o futuro do mundial de 2026.
Vitória do Dourado e pressão tricolor
No cenário doméstico, o Cuiabá recebeu o São Paulo na Arena Pantanal e garantiu um importante triunfo por 2 a 0. A partida, válida pela elite do futebol brasileiro, foi marcada por um segundo tempo de intensa pressão dos visitantes e uma defesa sólida dos anfitriões. O Tricolor Paulista buscou reagir, especialmente na etapa complementar, mas esbarrou na falta de pontaria e na forte marcação adversária.
A reta final do confronto foi um teste de nervos. O São Paulo, tentando descontar a qualquer custo, criou diversas oportunidades. Luiz Gustavo arriscou de fora da área, mas teve o chute bloqueado, enquanto William, que entrou no lugar de Wellington Rato, obrigou a defesa do Dourado a trabalhar com finalizações perigosas de pé esquerdo. Nas bolas paradas, a equipe paulista também levou perigo, com Robert Arboleda ganhando disputas pelo alto após escanteios, mas sem conseguir balançar as redes.
Jogo picotado e acréscimos generosos
O ritmo da partida foi quebrado por diversas interrupções físicas, o que aumentou a tensão em campo. Lesões de jogadores como Ramon e Clayson, pelo lado do Cuiabá, e atendimentos médicos a atletas do São Paulo, incluindo Lucas Moura, deixaram o jogo truncado. Diante das paradas, a arbitragem concedeu 12 minutos de acréscimos, estendendo o drama até o apito final.
Para segurar o resultado, o banco do Cuiabá agiu. A entrada de Lucas Mineiro e Eliel renovou o fôlego da equipe, que também viu Matheus Alexandre receber cartão amarelo em meio à disputa ferrenha. Apesar da insistência do São Paulo até o último minuto, com Nestor e Luciano buscando espaços, o placar se manteve inalterado, decretando a vitória do Dourado.
O sonho do hexa passa pela Ásia
Enquanto a bola rolava no Brasil, o clima já é de Copa do Mundo na Coreia do Sul. A taça oficial da FIFA, que será erguida pelos campeões em 2026, aterrissou em Seul nesta sexta-feira como parte do tour global organizado pela Coca-Cola. O evento de apresentação contou com a presença de lendas locais, como Cha Bum-kun e Park Ji-sung, mas o destaque foi a participação do brasileiro Gilberto Silva.
Convidado especial da FIFA, o ex-volante do Arsenal e da Seleção Brasileira relembrou com carinho a conquista do pentacampeonato em 2002, sediada em solo coreano e japonês. Gilberto destacou a emoção de reencontrar antigos adversários e amigos, como Lee Young-pyo e Cha Du-ri. Ao ser questionado sobre suas expectativas para o próximo mundial, o brasileiro não escondeu o desejo de ver um reencontro histórico: uma final entre Brasil e Coreia do Sul. Segundo ele, o potencial do futebol coreano é visível e tal confronto pararia o mundo.
Rumo a 2026
A turnê da taça, que começou na Arábia Saudita, ainda passará por dezenas de cidades antes do torneio que será sediado conjuntamente por Canadá, México e Estados Unidos. Para a Coreia do Sul, a caminhada já tem roteiro definido no Grupo A, onde enfrentará o anfitrião México, a África do Sul e o vencedor da repescagem europeia.
Com a classificação garantida para sua 11ª Copa consecutiva — uma marca impressionante que começou justamente no México, em 1986 — os coreanos compartilham com os brasileiros, como Gilberto Silva, a esperança de que 2026 reserve novos capítulos de glória no futebol mundial. Cha Bum-kun resumiu o sentimento de ver o troféu de perto: é uma visão agridoce, algo que se deseja intensamente, mas que é difícil de alcançar, servindo, contudo, como fonte inesgotável de esperança.