O espanhol Rafael Nadal durante a partida final de Roland Garros 2017. Foto: FFT/Twitter @RolandGarros

DIRETO DE PARIS

Com as arquibancadas completamente lotadas, um sol a pino e temperatura de mais de 30ºC, a final masculina de Roland Garros foi o espetáculo perfeito que todos imaginavam. Em 2 horas e 5 minutos de jogo, Rafael Nadal marcou incontestes 3 sets a 0 sobre o suíço Stan Wawrinka, com parciais de 6-2, 6-3 e 6-1 e conquistou seu décimo título no saibro francês, se tornando o primeiro atleta a realizar tal feito em um Grand Slam desde o inicio da Era Aberta, em 1973.

Troca de gentilezas à rede, mas Wawrinka deu uma leve provocada em Nadal ao correr para sua posição na quadra depois do sorteio, indicação de que não seria intimidado pelo forte apoio da torcida ao espanhol. Nadal respondeu confirmando seu primeiro serviço de 0!

Em uma troca de smahes no terceiro game Wawrinka chegou ao primeiro break-point, anulado com um saque alto na esquerda do suíço, respondido com o primeiro “VAMOS!” de Rafa e dois aces para confirmar seu serviço.  Uma longa troca de vantagens no game seguinte marcou o primeiro momento de tensão para Wawrinka na partida: Foram quatro break-points salvos e três pontos de game desperdiçados antes que Wawrinka confirmasse e saísse do buraco, em mais de 10 minutos de game.

Com 33min de disputa, a primeira chance real de break foi convertida: Enfrentando 0-40, Wawrinka jogou mais conservador e deu a chance para o espanhol atacar sua paralela: quebra de saque e 4-2 com saque para eneacampeão.

A confirmação do break veio com requintes de crueldade: Num segundo serviço a 194 km/h Nadal jogou Wawrinka para um lado e aplicou um estonteante forehand na paralela funda: 5-2 e primeiro set praticamente decidido.

Com uma aula de colocação de bolas na esquerda de Wawrinka Nadal quebrou novamente e fechou o primeiro set em 6-2, em 42min de jogo.

Não dava nada certo para o suíço – ou melhor, dava tudo certo para o espanhol. Nadal conseguiu uma quebra logo no primeiro game de serviço do adversário, que via seus esforços para variar ritmo e colocação anulados sem problemas pelo eneacampeão. A frustração de Wawrinka era aparente no gestual entre os pontos.

Longas trocas de bola eram encerradas cirurgicamente por petardos de Nadal, como uma banana-shot  no fim do quinto set, já com o placar em 4-1 para Nadal, que fez Wawrinka – e a torcida francesa – aplaudirem longamente.

O show de Nadal prosseguia, por mais que Wawrinka tentasse algo para mudar o rumo dos acontecimentos. Até quebrar sua raquete – algo não tão comum para o suíço – aconteceu no 15-40 do nono game. O espanhol sacou e fechou o segundo set, sem problemas, em 40 minutos totais de disputa.

O terceiro ato foi o de misericórdia. Nadal saiu quebrando novamente o serviço de Wawrinka, confirmou o seu sem maiores problemas e via “La Décima” cada vez mais próxima.

Com o Sol dando uma trégua e a tarde chegando a seu ponto mais fresco, parecia que Wawrinka poderia encontrar fôlego novo para dar mais trabalho ao espanhol. Em frente à Tribuna de Imprensa, logo à nossa frente, um grupo de torcedores brasileiros da Faberg Experience torcia muito para que o suíço voltasse ao jogo – até para prolongar a experiência de assistir à final na Philippe Chatrier.

Mas Nadal tinha outros planos. Com requintes de crueldade, jogava Wawrinka para um lado e para outro, completando às vezes com deixadinhas desconcertantes e passadas desmoralizantes.

Com 1 a 3 no terceiro set Wawrinka ameaçou uma volta: teve game-points, conseguiu aplicar uma linda passada e chamou a torcida, que o aplaudiu e o incentivou.

Aí Nadal foi lá e quebrou o saque do suíço mais uma vez para abrir 4-1. Confirmando seu serviço em 5-1, foi uma questão de terminar o serviço e levantar a Copa dos Mosqueteiros pela DÉCIMA VEZ na Quadra Central Philippe Chatrier.

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Jeff Paiva
Jornalista e publicitário, cobriu esportes de 1997 a 2005 por veículos como Tennis View, Terra e UOL. Aprendeu a jogar tênis depois de anos cobrindo o esporte e entendeu que é bem mais complicado jogar do que falar. Ainda assim, fala muito - aqui e no podcast Backhand Na Paralela.