Demorou sete anos para o Brasil voltar a figurar no cenário mundial do tênis. Em 2001, na paradisíaca Costa do Sauípe, a Octagon Koch Tavares finalmente conseguiu espaço no calendário da ATP e realizou o primeiro Brasil Open, em piso rápido, torneio que contou com a presença do então número 1 do mundo, Gustavo Kuerten, e de outros bons nomes do circuito profissional.

A competição acabou sendo positiva para os representantes do país, com exceção de Guga. Cansado após excelentes campanhas no verão norte-americano, o catarinense decepcionou e caiu logo na primeira rodada diante do então promissor Flávio Saretta. Após a maior vitória de sua carreira, o jovem de Americana (SP) conseguiu seu primeiro grande resultado da carreira ao chegar às quartas-de-final do ATP.

A melhor participação, no entanto, veio com Fernando Meligeni. Desacreditado, ele mostrou que ainda podia dar alegrias ao superar grandes desafios e alcançar a final da competição. Em jogo equilibrado, frustrou as expectativas da torcida e perdeu para o desconhecido tcheco Jan Vacek. Outros destaques do evento foram as participações de Alexandre Simoni, Ricardo Mello e Daniel Melo

2002 – GUGA VENCE!

O sucesso da primeira edição fez o Brasil Open ganhar prestígio em 2002 e receber tenistas ainda mais qualificados na chave principal. O grande nome foi o holandês Sjeng Schalken, que havia acabado de chegar à semifinal do US Open na semana anterior. Ao contrário de 2001, Gustavo Kuerten chegou à Bahia em baixa por ainda não ter reencontrado o bom jogo após a artroscopia no quadril.

Guga campeão na Costa do Sauípe em 2002
Guga campeão na Costa do Sauípe em 2002

Mas disposto a não repetir o fiasco do ano anterior, o catarinense se dedicou ao máximo, jogou com garra e fez a alegria dos brasileiros na semana. Depois de passar por adversários de ranking ruim nas primeiras rodadas, Guga teve trabalho para derrotar o paraguaio Ramon Delgado na semifinal e se classificou para a decisão contra Guillermo Coria, outro que vinha em fase de ascensão após suspensão por doping.

Em jogo de mais de três horas e sob um calor de quase 40 graus, ele fez um duelo de alto nível com o argentino, que terminou com vitória do brasileiro por 2 sets a 1, parciais de 6/7 (4/7), 7/5 e 7/6 (7/2). Guga precisou salvar match point para faturar seu 17° título da carreira, o primeiro ao lado da torcida. Ainda naquele domingo, Guga voltou para jogar a final de duplas ao lado de André Sá, mas acabou derrotado por Scott Humphries e Mark Merklein. As decepções do torneio foram as campanhas de Flávio Saretta, eliminado logo na estreia por Guillermo Coria, e de Fernando Meligeni, derrotado ainda na segunda rodada.

2003 – GUGA CAI NA SEMI

Com o nome consolidado no circuito, o Brasil Open de 2003 recebeu investimentos pesados da organização. Com uma infra-estrutura de dar inveja a grandes eventos, foi possível trazer grandes nomes como o alemão Rainer Schuettler, novamente o holandês Sjeng Schalken e o chileno Fernando González.

Gustavo Kuerten vinha em melhor fase em relação ao ano anterior e também era apontado como favorito. No entanto, sua campanha acabou ainda na semifinal, com uma derrota justamente para Schuettler. O alemão foi então para a final e decidiu com o cabeça 2 Schalken. O holandês, que havia derrotado seu adversário há uma semana, nas oitavas-de-final do US Open, saiu-se melhor novamente e sagrou-se campeão do torneio. Com Saretta perdendo feio, o lado positivo veio com Ricardo Mello, que mais uma vez alcançou as quartas e só parou diante de Guga.

2004 – GUGA BICAMPEÃO

Com nova data e novo piso de saibro, o Brasil Open de 2004 viveu um dos momentos mais emocionantes de sua história, ao assistir o bicampeonato do ídolo Gustavo Kuerten, seu primeiro grande resultado após a problemática cirurgia.

Integrado agora ao Circuito Sul-americano de quadras lentas, que foi criado pela ATP para dar impulso ao tênis continental, o Brasil Open recebeu nomes de primeira grandeza. Mas o favorito Carlos Moyá, outro campeão de Roland Garros, chegou muito cansado de Buenos Aires e parou logo na estreia diante do gaúcho-alemão Tomas Behrend. Isso facilitou a vida de Guga, que fez belos jogos contra Oscar Hernandez e Richard Gasquet, antes de encarar uma legião de argentinos, que incluiu Franco Squillari e Jose Acasuso.

Guga com seu último troféu de campeão na carreira
Guga com seu último troféu de campeão na carreira

Do outro lado da chave, o cabeça 2 Nicolas Massú também parou na estreia diante do peruano Luis Horna, enquanto Flávio Saretta não suportou o ritmo do argentino Juan Chela na primeira rodada. O argentino Agustín Calleri, de golpes clássicos e jogo agressivo, foi a boa surpresa. Eliminou Chela e Horna, candidatando-se a encarar a torcida brasileira e a força de Kuerten.

A final foi um capítulo à parte. Guga recuperou-se de forma heroica, apoiado por 5 mil torcedores, que não pararam de cantar e torcer debaixo de chuva. O jogo só foi encerrado no domingo, sob forte sol. Guga voltou a erguer o troféu para delírio do público.

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Marcus Vinicius Araujo
Marcus Vinicius Araujo é jornalista e relações públicas apaixonado por tênis desde os 15 anos de idade. Trabalhou na academia Oncins Tennis com os irmãos Oncins. Viu Borg, Koch, Mandarino, Ilie Nastase , Ion Tiriac, além de Kyrmayr, Mattar, Guga e outros tenistas profissionais jogarem. Até hoje adora jogar este difícil esporte de raquetes.