Pernambucano tem apenas 17 anos. Crédito: João Pires/ Fotojump

Uma das maiores sensações do IS Open São Paulo de 2017 não estava entre os nomes mais badalados antes dos começo dos jogos nas quadras de saibro do Clube Paineras Morumby.
Nos palpites pré-torneio, muito se falava da possibilidade de uma dobradinha de Rafael Matos, que vinha bem após ser campeão em Santos na semana anterior, do favoritismo do paulista Daniel Dutra Silva, recordista nacional em títulos de Futures e até mesmo de uma vitória de Orlando Luz, creditado como uma das maiores promessas do tênis brasileiros há pelo menos meio década.

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O que se viu, porém, foi a boa campanha de João Lucas Reis, um jovem tenista pernambucano de 17 anos que, aliando as devoluções certeiras com um bom backhand conseguiu avançar à semifinal. E tudo isso disputando apenas sua segunda chave principal em torneios profissionais.

A campanha de João Lucas poderia ter parado logo em seu primeiro capítulo. Dono de um dos wild cards distribuídos pelo Instituto Sports, ele estreou justamente contra Matos, cabeça de chave #3. Jogando bem, ele freou os avanços do adversário e conquistou seu segundo ponto no ranking da ATP.

Foto: João Pires/ Fotojump

Na sequência, Reis venceu em sets diretos o português Daniel Batista, marcando 6/4 e 6/2 para fechar o duelo. O resultado lhe garantiu a classificação às quartas de final, onde passou por uma grande pedreira ao enfrentar o gaúcho Eduardo Dischinger. Nessa partida, ele precisou sair de uma situação complicada, depois de ver seu adversário abrir 5 a 1 no tie-break do terceiro set. Pensando “ponto a ponto” e acreditando na vitória, ele virou o placar e sacramentou a vitória após 2h49.

No último sábado, entretanto, sua campanha chegou ao fim. Apesar dos esforços, a maior experiência de seu adversário pesou e ele foi derrotado com o placar final de 6/1 e 6/0. Confirmado na final, o lusitano Bernardo Saraiva, de 24 anos e #799 do ranking enfrenta o brasileiro José Pereira neste domingo, às 11h30.

Mesmo assim, Reis tem motivos de sobrar para comemorar e pude conversar com ele logo após a partida. Confira o bate-papo:

Qual o saldo que você tira dessas primeiras experiências? Como você vê esse final de ano e o começo da próxima temporada?

Estou me sentindo muito bem, esse final de ano eu tive bons resultados no juvenil, consegui recuperar um bom ranking e isso me deu um pouco de confiança para chegar aqui e disputar minha duas primeiras chaves de torneios profissionais. Estava bem confiante com o nível de tênis que eu estava jogando. Cheguei muito firme. Na semana passada consegui fazer meu primeiro ponto, mas a segunda rodada escapou. Já aqui foi uma bela semana, consegui fazer bons jogos em sequência e estou me sentindo muito bem para começar o ano no juvenil de novo e mesclar com os profissionais.

*Observação: Reis começará o ano disputando o Australian Open Juvenil, em janeiro.

E na partida de hoje (ontem), contra o Saraiva, qual o saldo que você tira do seu papel e da atuação do português?

Não consegui fazer o que eu estava esperando, acho que fiz abaixo das minhas expectativas. Ele também jogou muito bem, não me deu tanto espaço, errou muito pouco, por isso o resultado foi o que foi. Mas eu saio de cabeça erguida, a semana foi muito positiva. Agora vou ter férias, para descansar e dezembro começar a pré-temporada firme de novo”.

O Saraiva teve um tempo de jogo menor – seu adversário nas quartas acabou desistindo depois de 34 minutos . Já você jogou bem mais. Você acha que a questão física pesou também? O sol estava bem forte no início do jogo, acha que isso teve alguma influência ou não atrapalhou tanto?

Eu joguei bem mais tempo que ele ontem, tive um jogo bem duro um jogo, que teve muito desgaste físico e principalmente desgaste mental. Cheguei um pouco mais cansado que ele, isso era visível, mas eu tinha que me virar com o que tinha na hora e ele tava muito firme também. Estava bem quente, bem difícil de lidar. Mas ele teve total mérito, conseguiu fechar as portas que eu tentava abrir no jogo e ele mereceu essa vitória

Foto: Nelson Toledo/ Fotojump

É legal ver esses bons resultados dos jovens tenistas brasileiros. Você, o Thiago [Wild] que tava bem lá no Rio. Como você vê essa questão de muitos tenistas terem dificuldade em fazer  a transição do juvenil para o profissional? O que vocês tem feito lá no Instituto Tênis para poder fazer com que você chegue melhor maneira possível no circuito profissional?

O importante é trabalhar firme cada dia, trabalha duro. Acho que eu carreguei uma experiência grande no juvenil, consegui passar por várias situações que não sei se passaria se tivesse começado mais cedo para o profissional. O juvenil traz uma boa bagagem. Quando você consegue passar bem por essas dificuldades no juvenil você chega no profissional mais vivido, mais calejado para passar pelas dificuldades do profissional, que são ainda mais duras. E não se contentar também. Uma semana boa não quer dizer que na próxima tenha um “crédito”, não. Na próxima semana começa tudo de novo e é sempre assim, passo a passo vai avançando.

Para encerrar, queria pedir que você se apresentasse para o público que ainda não te viu jogar e falasse um pouco das suas principais jogadas?

Me sinto muito bem devolvendo, acho que a devolução é meu principal golpe. Backhand também, na cruzada e na paralela acho que sou bem eficiente. Essas duas e o inside out são as três jogadas que eu mais gosto.