O novo presidente da Confederação Brasileira de Tênis. Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Rafael Westrupp assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Tênis no dia 4 de março e promete fazer uma gestão eficiente e transparente na comando da entidade. O catarinense foi Diretor Administrativo Executivo durante o mandato do ex-presidente Jorge Lacerda e assumiu o novo cargo com total apoio de todas as Federações do país.

Atualmente a CBT possui uma nova sede, em Florianópolis, em espaço compartilhado com a Federação Catarinense de Tênis. O complexo possui prédio administrativo, loja de equipamentos para tênis, vestiários, lanchonete e cinco quadras de piso rápido. A mudança de São Paulo para Florianópolis foi pensada justamente para enxugar os custos com alto valor de aluguel, devido a diminuição orçamentária para o exercício 2017, por conta de um valor menor de patrocínio dos Correios e Tretorn, empresas parceiras da Confederação.

Rafael possui vasta experiência em nosso esporte e foi diretor nas quatro edições do WTA Internacional de Florianópolis. Na última segunda-feira, o novo presidente teve a honra de inaugurar o primeiro projeto social da atual gestão, que beneficiará crianças da rede pública de ensino e será realizado na própria sede da CBT.

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Durante o torneio Rendez-Vous à Roland-Garros, que foi disputado nas quadras de saibro do LIC (Lagoa Iate Clube), o atual presidente concedeu uma entrevista exclusiva para o portal TENNIS INFO. Confira abaixo:

Primeiramente muito obrigado em conceder essa entrevista. Conte um pouco sobre sua trajetória no tênis. Como tudo começou?

Eu comecei a jogar tênis por volta dos 8 anos de idade aqui no Lagoa Iate Clube com meu irmão. Logo comecei a treinar na equipe do clube e passei nas mãos de grandes profissionais, que acima de tudo foram pessoas importantes na minha vida e na formação do meu caráter. Eu tive um bom desempenho no juvenil, mas não tinha condição financeira para competir a nível internacional. Tive a felicidade de ser sparring do Guga aqui em Floripa. Atuei como treinador e ajudei na formação de grandes atletas, como por exemplo o André Sá. Em 2001, eu entendi que o tênis na minha vida deveria tomar outro rumo.

Como dirigente, qual foi sua primeira experiência?

Eu passei por várias áreas técnicas da CBT, até que em 2007 assumi a vice-presidência da Federação Catarinense de Tênis. Depois em 2010, fui eleito presidente. Fui reeleito, mas renunciei no final de 2016 para assumir a presidência da Confederação Brasileira de Tênis. Fui diretor do WTA Internacional e de Copa Davis. Neste novo cargo, fui eleito por aclamação em chapa única. Foi gratificante receber o apoio de todos os presidentes das Federações, e garanto que estamos todos “na mesma página”. Recebi feedback positivo de todos e sinto que estamos na direção certa.

O novo presidente da CBT. Crédito:Ricardo Moreira/DGW Comunicação
O novo presidente da CBT. Crédito:Ricardo Moreira/DGW Comunicação

O que aconteceu com o WTA de Florianópolis? Porque perdemos esse evento? Porque estamos tão carentes de grandes nomes no feminino e o que fazer para reverter esse quadro?

Na história do tênis na América do Sul, temos muitos mais destaques no masculino do que no feminino. Isso é um pouco cultural. Esse tema é muito discutido entre os treinadores e dirigentes. No feminino, existe uma certa dificuldade das jovens meninas saírem de casa cedo e jogarem torneio ao redor do mundo.

O nosso ex-presidente, Jorge Lacerda, traçou um objetivo em 2012 para trazer um grande torneio feminino para o Brasil e conseguiu. Compramos a data de um torneio que acabou na Espanha e naquele momento, a melhor brasileira no ranking era a paulista Roxane Vaisemberg. A primeira edição do WTA brasileiro foi em 2013 e trouxemos nomes com Venus Williams, Garbine Muguruza, além das convidadas Teliana Pereira, Paula Gonçalves e Bia Haddad. Naquela edição vimos que seria possível ter uma brasileira como campeã deste torneio internacional e traçamos essa meta.

Acreditamos no nosso trabalho e em 2015 a Teliana foi campeã. Neste meio tempo, demos todo o apoio necessário para essas atletas com apoios e patrocínios. O resultado foi que as nossas tenistas cresceram, a Paula fez quartas no Rio, a Bia começou a ganhar títulos. Com a alta do dólar, vimos que os valores para realização do evento eram complicados e conta não estava fechando. Para não tomarmos prejuízo, após a edição de 2016, onde vieram grandes nomes como Jelena Jankovic e a campeã olímpica Monica Puig, nós vendemos a data de volta para a WTA.

Rafael foi diretor do WTA de Florianópolis e contou com grandes nomes nas quatro edições do torneio
Rafael foi diretor do WTA de Florianópolis e contou com grandes nomes nas quatro edições do torneio

Como foi realizar este torneio juvenil em parceria com a FFT pelo terceiro ano consecutivo?

A FFT – Federação Francesa de Tênis – é uma das maiores do mundo. É nossa parceria há 3 anos com Rendez-Vous à Roland-Garros. Tivemos dois campeões no masculino em Paris. Em 2015, Gabriel Decamps e em 2016, Rafael Wagner. Esta parceria está sendo vista com bons olhos pelas outras entidades.

Por exemplo, durante o Banana Bowl, os atletas franceses receberam uma estrutura completa oferecida por nós e isso foi muito bem reconhecido. Estive na França em algumas oportunidades e temos muitos objetivos pautados e espelhados pela federação francesa. O apelo institucional da CBT está mais forte. Nenhuma empresa que esteja com a imagem ruim teria a possibilidade de fazer uma parceria como esta.

Estou trabalhando agora numa nova parceria com a USTA – United States Tennis Association – e tenho uma reunião com eles nas próximas semanas.

Rafael orgulhoso da parceria com a FFT pelo terceiro ano consecutivo. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Rafael orgulhoso da parceria com a FFT pelo terceiro ano consecutivo. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

Quem está no comando do Parque Olímpico? Qual a intenção da CBT em se apropriar e gerir esse espaço?

A CBT foi a primeira entidade que apresentou um plano de legado para o Ministério dos Esportes, para o Governo do Estado e para a Prefeitura. Apresentamos em dezembro de 2015, após realizar o evento teste, que foi produzido por nós. Fomos informados que aconteceria uma licitação, mas não ocorreu. A administração do Centro Olímpico de Tênis passou da Prefeitura para o Ministério. A solução será implementar um núcleo da rede nacional de treinamento com orçamento público e gestão da nossa entidade.

Por exemplo, a Tennis Route, centro de alto rendimento de atletas onde treinam Monteiro, Bellucci, Demoliner é um espaço da CBT. Foi um legado dos Jogos Pan-Americanos e todos os atletas recebem apoio total da nossa entidade. A ideia é transferir toda essa estrutura para o Centro Olímpico. A intenção da CBT é total e precisamos de uma aprovação do orçamento do Ministério para estruturar e colocar as ações em prática. O custo de manutenção desse espaço é de 4 milhões ao ano e faz todo sentido lutarmos por esse legado. Eu vou lutar por isso.

Para finalizar, você pode dizer como estão os patrocínios da CBT? Você tem intenção de trazer novos apoios?

O mais importante nós fizemos. Que foi manter o patrocínio dos Correios. Isso foi muito louvável. Com a crise política e financeira de nosso país, é muito natural que algumas empresas puxem o freio em alguns investimentos. Foi muito melhor termos uma diminuição do apoio do que o corte. Os Correios foram muito honestos com nossa entidade. Temos um contrato bienal até dezembro de 2018, mas ao final deste exercício, temos a possibilidade de aumento desse contrato.

Nós tivemos uma redução de 70% no orçamento da CBT. No entanto, temos a Tretorn, uma empresa sueca que está há quatro anos conosco e estamos avançando nas negociações com uma grande marcas de roupas e com a Peugeot, que apoia os maiores eventos no segmento do tênis e patrocinou o Rendez-Vous à Roland Garros.

Nunca me faltou comprometimento com o que eu faço. Vou trabalhar muito para fazer o melhor pela entidade e acima de tudo pelo esporte. Sempre que alguém tiver alguma dúvida, estamos com as portas abertas. A verdade sempre vai ser melhor para o esporte. As críticas são importantes e nos tira da zona de conforto. Queremos trabalhar na mesma frequência.

Rafael Westrupp durante discurso na premiação para os campeões do Rendez-Vous. Crédito: Cristiano Andujar
Rafael Westrupp durante discurso na premiação para os campeões do Rendez-Vous. Crédito: Cristiano Andujar
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Vinicius Araujo
Fundador e editor do TENNIS INFO desde 2015. Credenciou o site e fez a cobertura in loco de grandes torneios como Roland Garros, Miami Open, Rio Open e Brasil Open. Apresenta o Podcast Backhand Na Paralela.