Reprodução: Ténis Portugal

Classificado após bater o búlgaro Grigor Dimitrov, o espanhol Rafael Nadal já tem desde ontem seu adversário confirmado para a final do Australian Open. Assim como em 2009, ele vai enfrentar o suíço Roger Federer, que eliminou o compatriota Stan Wawrinka na outra semifinal.

Vamos relembrar a última vez que os dois decidiram o título em Melbourne

Para entender como foi a épica final é necessário primeiro entender um contexto anterior. Enquanto Federer teve um duelo duro, mas encerrado em sets diretos contra Andy Roddick, o espanhol teve uma das mais difíceis partidas de sua vida diante do compatriota Fernando Verdasco.

Para se ter ideia de quão equilibrado foi o jogo, Rafa precisou de cinco horas e catorze minutos para bater o adversário em cinco sets, com parciais de 6-7(4), 6-4, 7-6 (2), 6-7(1), 6-4 naquela que é a segunda partida mais longa da história do Aberto da Austrália.

“Estava tão quente na quadra que nós dois corríamos para colocar compressas de gelo em torno do pescoço e nos ombros nas pausas entre os games. No último, antes do match point, meus olhos se encheram de lágrimas. Não estava chorando porque sentia que ia perder nem ganhar, mas por causa da excruciante tensão da partida” , conta Nadal.

No livro “Rafa – Minha história”, o atual número #9 do mundo conta que seu corpo estava debilitado após a longa batalha contra Verdasco. Ele tinha dificuldades até para andar e teve de ser atendido por Titín, seu fisioterapeuta.

A situação era árdua e Joan Forcades, seu preparador físico, teve de ser contatado via Skype para dar as orientações sobre a melhor forma de diminuir as dores do espanhol. Depois de entrar em uma banheira de gelo e passar por horas de massagem, Rafa conseguiu enfim dormir.

A dor de Nadal não diminuiu quando acordou. A pedido da equipe, ele teve que pedalar na bicicleta ergométrica para fazer seu sangue circular e depois foi à quadra treinar, mas sentia seu corpo tão rígido que apenas 20 minutos foram suficientes para ele novamente se sentir esgotado.

O desgaste de Rafa era tanto que Toni Nadal, seu tio e treinador, percebeu que a única saída era motivar o sobrinho para dar tudo de si naquela final, que esse ponto estava apenas a duas horas de distância. Após duas primeiras tentativas com resposta negativa, Toni continuou seu discurso e usou a frase do então recém empossado presidente dos Estados Unidos para animar seu sobrinho por definitivo:

– Lembre-se da frase de Barack Obama: “Sim, nós podemos!” A cada troca de lado, repita a para si mesmo, porque a verdade é que você pode vencer. O que nunca pode se permitir é fracassar por falta de vontade. Você pode perder porque seu rival jogou melhor, mas não pode perder porque não deu o melhor de si. Seria um crime. Mas você não vai fazer isso, eu sei. Porque você sempre dá o melhor de si mesmo, e hoje não vai ser diferente. Você pode, Rafael! Pode mesmo!

Reprodução: Sport360
Rafa treinando sob à observação de Toni Nadal Reprodução: Sport360

O animador discurso do tio parece ter ajudado o espanhol. Após escutá-lo, ele traçou um plano de jogo no qual deveria poupar energias para os momentos críticos e arriscar mais, a fim de encurtar a duração dos pontos. Funcionou. Nadal superou Federer com o placar final de 7-5 3-6 7-6(3) 3-6 6-2 e se sagrou pela primeira vez campeão do Aberto da Austrália.

Após ver sua força de vontade ser maior que os problemas físicos, ele admitiu ter aprendido uma lição: A mente pode triunfar sobre a matéria.

Antes de sair, relembre os melhores momentos da partida: