Muitos tenistas, sejam eles novatos ou experientes, têm dúvidas pertinentes sobre a empunhadura correta, características de cada uma, pontos fortes e fracos de cada uma, enfim, nesta reportagem vamos tirar estas dúvidas, e ajudar vocês a escolherem a melhor empunhadura para o seu jogo.

Vamos mostrar um pouco sobre a experiência e vivência com o tênis de Francisco Eduardo Pontes Bruni, que nos ajudou nesta reportagem, respondendo perguntas referentes ao tema em questão.

Vocês devem estar se perguntando: quais são as empunhaduras existentes? As principais empunhaduras existentes são Continental, Eastern, Semi Western e Full Western (também conhecida apenas como Western).

Cada uma apresenta uma característica própria, com suas vantagens e desvantagens.

Vantagens

– Continental: boa para rebater bolas baixas, golpear com efeito slice. É boa para sacar, para bloquear bolas rápidas, sacar e volear e executar deixadinhas (drop-shot).

empunhadura continental

– Eastern Forehand: Facilidade para gerar potência e devolver bolas na altura da cintura. Permite bom apoio para o punho. Facilita o aprendizado para jogadores iniciantes e permite bom apoio para os punhos.

empunhadura-eastern– Semi-western Forehand: Facilita gerar Topspin, devolver bolas altas, passar o oponente quando este sobe à rede. É uma empunhadura muito confortável para a mão. É a empunhadura mais utilizada no circuito profissional pela sua versatilidade.

empunhadura semi-western– Full Western Forehand: Facilidade para gerar efeito topspin, golpear bolas altas, passar o adversário quando este sobe à rede. É a empunhadura que mais auxilia na produção de golpes com topspin, por permitir “pentear” bastante a bola. Auxilia a gerar golpes defensivos/regularidade em que a bola ultrapassa a rede com elevada rotação, usualmente desenhando uma trajetória parabólica no ar.
empunhadura western

Desvantagens

– Continental: Golpear bolas altas. É contraindicada para jogadores com o punho fraco ou com histórico de lesão no punho. Dificulta golpear a bola com efeito topspin.
– Eastern Forehand: Não é boa para dar slice. Dificulta devolver voleios baixos e executar deixadinhas. Dificuldade em devolver bolas altas.
– Semi-western Forehand: Dificuldade para devolver bolas baixas e gerar efeito “underspin” (slice). A transição para a empunhadura do backhand é mais demorada. Não é uma boa empunhadura para sacar. Dificulta a execução de voleios baixos

– Full Western Forehand: Golpear bolas baixas. Produzir efeito slice. A transição para a empunhadura do backhand é mais demorada. É também uma empunhadura ruim para sacar e para volear bolas baixas.

As empunhaduras clássicas, ou seja, que mantém a cabeça da raquete mais paralela com a quadra permite imprimir maior potência. Os pontos fortes dela são jogador não perde muito tempo na transição da empunhadura do forehand para o backhand.

Empunhaduras clássicas como eastern e semi-western permitem o jogador imprimir maior velocidade, potência e profundidade a seus golpes. Exemplo: Roger Federer. Seu ponto fraco é o jogador ter de dosar muito bem a amplitude de seu “swing” (movimento) para manter a bola dentro dos limites da quadra.

As empunhaduras extremas, ou seja, que deixam a cabeça da raquete mais voltada para o chão tende a produzir mais efeito. Seus pontos fortes são: alto índice de acertos, pois a bola quando é girada encontra mais atrito com o ar e este mesmo ar acaba segurando mais a bola nos limites da quadra. Auxilia a obtenção da regularidade, ou seja, habilidade de trocar muitas bolas com o adversário com a mínima quantidade de erros.

Pontos fracos: maior desgaste para o jogador que dispensa mais energia em cada golpe por estar sempre “resvalando/rosqueando” a bola. Raspar a bola, (segundo alguns experts de biomecânica do Tênis) muito frequentemente consome mais calorias por batida que simplesmente bater chapado. Logo, tenistas adeptos deste estilo de jogo, têm de possuir bom preparo físico para suportar sucessivas trocas de bola. Exemplo: Rafael Nadal.

Nadal Forehand

Cada empunhadura altera o jogo do tenista. “Ela permite golpear a bola com graduações diferentes de potência, ângulo e efeito. Ao utilizar empunhaduras diferentes, os tenistas conseguem produzir golpes, ângulos, trajetórias e efeitos diferentes. Cada uma é única e produz “tiros” únicos. Cada tipo de empunhadura confere uma característica singular aos “tiros” executados pelo jogador”, explica Francisco.

A forma de segurar a raquete é usada para estilos de jogos diferentes. O jogador que gosta de sacar e volear é recomendado usar as empunhaduras clássicas. “O tenista transita mais rapidamente da empunhadura do saque para a empunhadura do voleio”, acrescenta Francisco.

O tenista trocador de bola prefere pontos longos e costumam ser menos agressivos. A empunhadura recomendada é a Semi Western ou Full, pois produzem mais efeito top-spin, que gira a bola de baixo para cima, fazendo a bola passar da rede em uma trajetória mais alta, diminuindo assim, a quantidade de erros em que a bola fica na rede em virtude da bola não possuir altura suficiente para ultrapassar a rede.

O jogador agressivo, que encurta os pontos com winners, utiliza as empunhaduras clássicas, como a Eastern e Semi Western para o forehand. Elas permitem ao tenista golpear a bola com maior força, agressividade e profundidade.

Tamanho da empunhadura

É medido em polegadas. A circunferência do cabo possui aproximadamente quatro polegadas em sua circunferência. Os tamanhos padrões de cabo disponíveis no mercado são: (L1) 4 1/8 Leia-se: Quatro e um oitavo; (L2) 4 ¼, Leia-se: Quatro e um quarto; (L3) 4 3/8 Leia-se: Quatro e três oitavos; (L4) 4 ½ Leia-se: Quatro e meio; (L5) 4 5/8 Leia-se: Quatro e cinco oitavos.

Como identificar o tamanho ideal? “Via de regra, segurando a raquete na empunhadura eastern, sem apertar demasiadamente o cabo. O espaço existente entre o dedo polegar e demais dedos deve ser preenchido pelo dedo indicador da outra mão”, esclarece Francisco.

Existem vários métodos dos jogadores escolherem a empunhadura. O melhor e mais seguro é utilizar a assessoria de um profissional ou lojista experiente. Pode utilizar raquetes de demonstração (demo) ou raquetes de amigos para se testar diversos tamanhos de empunhaduras e adquirir um “feeling” por aquela empunhadura que melhor se adapta ao seu estilo de jogo. “A escolha da empunhadura correta para o jogador desferir golpes com biomecânica correta deve ocorrer com o auxílio e supervisão de um bom professor de Tênis”, aconselha Francisco.

A escolha do tamanho e da empunhadura correta é importantíssima. O primeiro contato que o jogador efetua com a raquete se dá através do cabo. Se este cabo estiver muito grosso ou fino, essa inconsistência no equipamento certamente afetará seu desempenho. Este assunto é tão serio que inúmeros jogadores profissionais contam com a ajuda de profissionais competentes que os assessoram neste quesito. Esses jogadores tem os cabos de suas raquetes feitos sob medida para o tamanho e formato de suas mãos.

Saiba as consequências de uma empunhadura inadequada:

Pode favorecer o surgimento de lesões, pode forçar demasiadamente o punho, cotovelo, braço e antebraço dos jogadores. Pode predispor o jogador a lesões sérias e a frustrações dentro de quadra, principalmente advindas das imprecisões que empunhaduras erradas ocasionam à dinâmica do jogo, principalmente favorecendo a ocorrência de erros não forçados.

Experiência e vivência de Francisco Bruni

kiko-bruni

Kiko, como é conhecido, joga tênis há 36 anos. Enquanto juvenil figurou entre os melhores jogadores do estado de São Paulo e do Brasil. Residiu nos EUA por sete anos, onde disputou o Torneio Universitário dos EUA pela Irvine Valley College e Foothill College.

Atua como professor de Tênis desde 1987. Possui a certificação “Master Racquet Technician”, MRT, concedida pela Associação Norte-Americana de Encordoadores de Raquete e atua como encordoador profissional de raquetes desde 2008.

Atuou como encordoador nos seguintes torneios profissionais: Copa Davis 2008 Brasil X Colômbia; Brasil Open 2012 Equipe Babolat Stringing Team BR (Andrea Amaral/Marcos Dantas de Souza); Brasil Open 2013 Equipe Wilson Stringing Team BR (Ricardo Dipold, Luis Pianelli, Raoni Dipold); Gillette Federer Tour 2013 Wilson Stringing Team BR (Andrea Amaral/Ricardo Dipold); Challenger Master Tour 2013 Wilson Stringing Team BR (Andrea Amaral/Ricardo Dipold) e Rio Open 2016 Head Stringing Team (Líder da Equipe-Andrea Amaral).

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Felipe Persiani
Estudante de jornalismo residente em Sorocaba. Começou a jogar tênis aos 10 anos e pratica até hoje. Um verdadeiro apaixonado pelo esporte!