Quem acompanha tênis a um bom tempo, acha que voltamos ao passado. Isso porque teremos neste fim de semana, finais de simples masculina e feminina e na de duplas masculina do Australian Open, tenistas que são lendas vivas. Roger Federer x Rafael Nadal, Venus Williams x Serena Williams e os irmãos Bob e Mike Bryan calaram todos e mostram que, mesmo veteranos no circuito, ainda têm muita lenha para queimar.

Neste fim de semana veremos pela 35ª vez um encontro entre Roger Federer e Rafael Nadal no circuito mundial, sendo o duelo mais aguardado de 2017 – que apenas começou. Fazia muito tempo em que os dois não se enfrentavam em uma final de Grand Slam, que aconteceu em 2011, em Roland Garros, com vitória do canhoto de Mallorca. Os dois vão decidir pela nona vez uma final de Major, onde o espanhol tem uma bela vantagem, com seis vitórias e apenas duas derrotas. Além disso, o Touro Miúra também tira proveito em outras duas estatísticas: são nove vitórias em 12 encontros em torneios de nível Grand Slam e 23 vitórias contra apenas 11 do suíço. O último encontro entre eles aconteceu em 2015, no ATP 500 da Basileia, com vitória de Federer em três sets.

Além das estatísticas do confronto mais clássico do tênis mundial, os dois vão em busca de quebrar novos recordes na modalidade. De um lado, o suíço quer o 18º Grand Slam e busca isolar-se na lista, deixando Pete Sampras para trás. Do outro, o espanhol quer o Double Slam – ganhar os Majors por duas vezes na carreira – e ser o terceiro tenista na história a alcançar o feito.

Reprodução / Internet
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No feminino, temos a volta de uma das tenistas mais importantes dos últimos tempos em uma final de Grand Slam. Após oito anos longe de uma decisão de Major, Venus Williams retorna Australian Open – onde nunca venceu -, e enfrentará sua irmã mais nova, Serena. As duas farão uma final de Major pela 15ª vez e a 28º no geral. As duas se enfrentaram 27 vezes no circuito, 16 vitórias da irmã caçula e 11 derrotas. A última vez em que elas se confrontaram em uma final de Grand Slam foi em 2009, com Serena vencendo Wimbledon. No ano anterior, Venus conquistou no All England Club, seu último título de um dos quatro mais importantes do circuito mundial.

E nas duplas, os irmãos gêmeos Bob e Mike Bryan vão a sua 25º final de Grand Slam, onde levantaram 16 troféus. Em Melbourne, os norte-americanos vão em busca do sétimo título, porém, o último Major em que venceram foi em 2014, onde jogaram em casa e conquistaram US Open. De lá para cá, os dois fizeram duas finais, em 2015 e 2016, ambas em Roland Garros.

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Todos esses tenistas citados têm 30 anos ou mais e ganharam, juntos, 76 títulos de Grand Slam, além de outros títulos ATP e WTA e têm milhões de dólares em premiação e de merchandising em suas contas bancárias. Aí vem a pergunta: qual a motivação de todos eles? E a resposta é o amor por fazer aquilo que eles mais gostam de fazer, que é jogar tênis e representá-lo da maneira mais sublime possível. Esses tenistas são os representantes máximos do tênis mundial e uma final com a presença deles causa todo esse alvoroço que estamos vendo – ainda que a final feminina não tenha vendido todos os ingressos, o que é bem estranho.

Mais uma vez, estamos vendo a história ser escrita com esses monstros. Qualquer adjetivo que eu escreva para eles não será o suficiente para exaltá-los. E pensar que meses atrás, estes tenistas estavam desacreditados por boa parte da galera que curte tênis e da imprensa especializada. Mas eu digo uma coisa, de quem viu todos esses iniciarem suas carreiras no tênis: aproveitem ao máximo, deixem o fanatismo de lado e curtam este momento, pois este pode ser o último capítulo de uma história que será contada nos próximos 100 anos.

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Jonas Furlan
Descobriu o tênis em 1993, quando jogava Tennis Ace no Master System. Anos depois, um de seus tios emprestou uma raquete e nunca mais parou de jogar. É fundador do Portal Rackets e cobre o tênis nacional e internacional há mais de seis anos.