Coloquei esse tema para dar um enfoque diferente do que vocês estão acostumados a ler em minha coluna no TENNIS INFO.

O tênis como esporte é realmente fantástico e muito rico em vários aspectos.
Sem dúvida para a saúde física como exercício praticado regularmente é muito benéfico, pois trabalha o cardiovascular e o corpo como um todo. Logicamente acompanhado por um belo alongamento e melhor ainda se houver um preparo físico apropriado.

Mas hoje gostaria de falar de um grupo específico de pessoas que praticam o tênis no mundo inteiro, o executivo.

Desde muito tempo nas grandes empresas pelo mundo afora, um grande número de executivos jogam tênis por diversos motivos: por que o amigo ou amiga joga na empresa, pela facilidade de levar a raquetinha e precisar só de mais 1 parceiro para jogar, ainda mais se for em viagem de negócios, ou pelo relacionamento, principalmente se for o chefe kkk.

No tênis depois que são ultrapassados parte dos obstáculos iniciais de aprendizado (sendo o aprendizado no tênis uma constante), onde já é possível trabalhar o jogo com alguma estratégia, passa a ser muito mental e emocional. Por ser individual, deixa muito transparente a personalidade do jogador. Em todos esses anos treinando executivos a jogar, é muito interessante como em poucos minutos consigo fazer uma rápida análise de como é a pessoa; mais arrojada, conservadora, impulsiva, controladora, metódica, paciente, persistente, resiliente etc.

O que presencio depois de algum tempo e que me fascina é sempre a transformação da pessoa. Lógico que no início, sempre converso para entender o objetivo, pois o interessante para que o desenvolvimento aconteça, é o casamento de ideias.

Treinando jogadores de alto rendimento, além dos golpes treinados e bem formados, vou imediatamente para a parte mental e emocional, na construção de uma cabeça forte, que tenha muita confiança e capacidade de decisão. O enxergar o que passa na cabeça de um jogador é imediato. O executivo é inverso. Tenho que ensina-lo a jogar tênis que leva um determinado tempo, e nesse andar da carruagem, percebendo a pessoa, e propondo desafios.

No jogador, por ter aprendido a jogar de pequeno, as referências que ele dá a um bater na bola são flexíveis, pois foi natural para ele soltar o braço.

No executivo que tem seus conceitos organizados numa sistemática corporativa, soltar o braço implica em largar tudo o que tem enraizado e simplesmente bater na bola num jogo. Fácil né? Ele entende tudo perfeitamente, treina bem executando os golpes, mas quando chega a hora de soltar o braço no jogo, hummm.

Quando jogamos tênis, trabalhamos numa dualidade, no racional entendendo a mecânica dos movimentos, estratégia, controle emocional, riscos calculados. Com tudo isso organizado e decidido tem que performar com desenvoltura.

Numa empresa é parecido, não é? Você vai para a faculdade aprende, se forma, consegue seu primeiro emprego e tem que performar para ter sucesso.
Se tiver bloqueios mentais e emocionais complica né?

Me encanta quando vejo as pessoas ultrapassarem seus limites, derrubando suas dificuldades.

O jogo de tênis para mim se assemelha ao desenvolvimento de uma empresa.

Vamos soltar o braço senhores executivos?

Grande abraço! 👊🏻🎾👔💼

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.