Reprodução Twitter/NikeCourt

Semana agitada pessoal. Com certeza essa semana ficou marcada pelo resto da vida na cabeça de Jack Sock. Entrou para o Hall dos ganhadores de Masters 1000, um clube para poucos. Também como norte-americano que há muito tempo não venciam um Masters 1000, desde Andy Roddick em Miami 2010.

Esse torneio foi um pouco ofuscado principalmente pela ausência de Federer, pela desistência de Nadal com dores no joelho e pela queda de jogadores campeões de audiência como Del Potro. Mas, por outro lado, a grata surpresa do aparecimento de Krajinovic, vindo do qualificatório e chegando à final, batendo grandes jogadores no caminho.

Mas vamos falar um pouco do campeão Sock. Direita inside out, fulminante, baseia seu jogo preparando toda a jogada em função de poder atacar com o forehand. Saca e logo procura o forehand. É capaz de sair da quadra fugindo para bater de forehand. Sabe que tem de arriscar mais buscando o inside out de forehand, pois não gosta de correr para a direita, onde, por causa de sua empunhadura western extrema, não tem a mesma eficiência. Usou e abusou dos drop shots, que executa muito bem, escondendo a jogada até o último instante.

Mostrou maturidade toda semana, percebendo e decidindo corretamente os pontos importantes nos jogos. Além de ter ficado com o título em Paris, classificou-se com o último lugar para a finalíssima de Londres e entrou no top 10. Que semana, hein Jack?

O sérvio Filip Krajinovic com certeza veio para ficar e mostrar muita coisa ainda. Jogador novo e extremamente inteligente em quadra. O sérvio não possui um saque super potente, mas tem uma enorme regularidade e ótima colocação no primeiro saque. Um excelente forehand, onde constrói e finaliza muitas jogadas, backhand sólido, regular, trabalha bem a quadra. Gosto muito também como vem a rede depois de deslocar bem seu oponente, finalizando com ótimos voleios.

O que me chamou a atenção e que gostei muito, é como ele trabalha a bola com diferentes velocidades e profundidades. Consegue acelerar e desacelerar, bolas profundas e bolas anguladas, criando diversas oportunidades para a construção e finalização dos pontos. Excelente no contra-ataque, bate muito bem na corrida. Muito inteligente, pena que na final após ter ganho o primeiro set, parou para pensar e logicamente sentiu um pouco a pressão, abrindo a oportunidade para Sock avançar. Com certeza deve estar feliz, pois essa semana mudará sua vida.

Agora a novidade que irá chamar a atenção do mundo do tênis. A finalíssima dos Next Gens em Milão. Rublev, Coric, Shapovalov e toda a galera nova a mil por hora. Fantástica estratégia da ATP, motivando muito o surgimento de novos ídolos, exaltando a nova geração que já está dando uma nova cara ao tênis mundial.

Estratégia interessante, com os jogos em melhor de 5 sets curtos de 4 games, com tie break no 3/3, e no add (sem vantagem) com o sacador escolhendo o lado para o ponto decisivo. Também não haverá juízes de linha, com as dúvidas sendo resolvidas pelo challenger eletrônico (Hawk Eye). Estará liberado também a instrução pelos treinadores. A quadra tem a marcação só de simples, dando um visual bem bonito. Será uma experiência bem interessante e iremos acompanhar e comentar os resultados.

Deixo aqui também os parabéns para o mineiro Marcelo Melo, que ao lado do seu parceiro Kubot venceu o sexto título da temporada no Masters 1000 de Paris, voltou ao número 1 do mundo e vai com moral em busca do título inédito do ATP Finals.

Bom pessoal, por hoje paro por aqui.

Um abração e até a próxima.

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.