Foto: Divulgação USTA

Com certeza o tênis é um esporte apaixonante. Os que começam pequeninos e o mosquito do tênis pica, é para toda vida. Começam geralmente em clubes e a coisa vai tomando vulto: campeonatos internos, interclubes, campeonatos estaduais, brasileiros, sul-americanos, mundiais, torneios em todas as idades e para os esforçados e talentosos chega a hora do circuito profissional.

E agora?

Torneios Futures para fazer os primeiros pontos, ok. Wild card em torneios maiores? (Challengers, se o jogador for o número 1 Juniors) ok. Treinar em 2 períodos? Mas daí como vou estudar? Devo parar de estudar para me dedicar somente ao tênis? Patrocínio? Quanto tempo a empresa vai me patrocinar? E se acaba o patrocínio? Meu pai consegue bancar para que eu possa tentar? Por quanto tempo devo tentar?

Podem ter certeza que todos os jogadores quando chegam nesse ponto, é exatamente o que passa na cabeça. Por favor, não me levem a mal, não quero desestimular os que estão aí batalhando por uma carreira no circuito. Estou somente relatando o que acontece de fato, principalmente no Brasil.

Em nosso país, foram poucos que conseguiram ter uma carreira plena de sucesso, fazer um pé de meia gordo suficiente para o pós-carreira e terem tranquilidade para optarem por o que fazer da vida depois.

Penso que faz sentido entrar de cabeça no profissional, se o jogador for um fenômeno. Se com 16, 17 anos estar tendo resultados bem significativos em torneios de relevância, ganhando Challengers grandes, entrando em torneios Masters 1000 e passando rodadas, entrar em Grand Slams, conseguir colocar-se rapidamente entre os 100 do mundo no ranking da ATP. Daí tudo bem, vale a pena ir adiante.

Uma coisa que vejo acontecendo com frequência, são jogadores que se destacam muito no juvenil, largam tudo para jogar profissional, e ficam jogando torneios pequenos correndo atrás dos tão almejados pontos na ATP. Olham o calendário e procuram os torneios mais escondidos da terra para irem atrás de pontos, que depois os façam entrar em torneios maiores.

No começo, é valido, quando bem novos como experiência, nos seus 15, 16 anos, quando ainda são juvenis. Mas isso tem que ter limite, não da para ficar até os 25 anos jogando futures. Se o jogador for bem rico e quiser fazer por prazer, muito legal, mas dizer que irá viver financeiramente assim, não tem como. Com o passar do tempo o jogador vai se colocar numa panela de pressão por resultados, e o sucesso vai se afastando cada vez mais.

O Brasil, por falta de ídolos, coloca muita expectativa nesses juvenis, o que ajuda e alimenta muitos a irem por esse caminho, e a maioria não se dá bem. Fico triste quando isso acontece, não precisaria ser assim.

Já acontece em vários países, principalmente nos Estados Unidos, de jogadores defenderem uma universidade e competirem em altíssimo nível. Fazem suas faculdades com bolsa completa, as universidades os ajudam em suas tarefas e incentivam a jogar parte do ano os torneios profissionais, algumas até ajudam financeiramente, se a faculdade for top e o jogador também. A única e justa troca é que tirem boas notas e também o jogador não pode colocar suas mãos no dinheiro enquanto estiver estudando.

Agora raciocinem comigo. Um adolescente acaba o terceiro ano na escola com mais ou menos 16, 17 anos. Se ele for um ótimo jogador, mas não um fenômeno, vai levar uns 3 a 4 anos para começar a ter resultados mais significativos no circuito. O mesmo tempo que ele levaria para formar-se em uma universidade nos EUA, estar jogando em alto nível, poder parte do ano jogar os torneios profissionais, sair com uma profissão e poder ir ao circuito profissional 100% com 21, 22 anos.

Um fato recorrente hoje em dia, são os jogadores amadurecerem um pouco depois dos seus 20 anos. Antigamente a carreira de um tenista era curta. Muitos que foram bem, tinham resultados expressivos com 17, 18 anos. A carreira começava a decair antes dos 30 anos. Hoje em dia com o avanço da ciência no esporte e treinos, os jogadores estão estendendo suas carreiras para além dos 30.

O que vale mais a pena?

O tenista ir para o circuito garoto ainda, não estudar, correr vários riscos? (acabar o dinheiro, lesão, não ter sucesso, pressão absurda por resultados etc.) Ou ir para uma universidade de ponta (estou falando aqui, no caso de um jogador top juvenil), estudar, ter todo o apoio da universidade para jogar, sem pressão, sair formado com 21 ou 22 anos, e ainda ter tempo de jogar tranquilo no circuito?

Desejo muito que surjam grandes jogadores em nosso país, e que sejam pessoas felizes e realizadas. Fica a reflexão. Grande abraço e até a próxima!