Foto: Divulgação

Muita sorte a minha de ter jogado meu melhor tênis nos anos 80 e poder estar acompanhando esse esporte que amo tanto. Foram tantas as mudanças e revoluções neste tempo, vamos começar nos anos 80, mas irei relembrar 4 episódios do final dos anos 70.

Inesquecíveis eventos quando garotinho: Ter assistido quando pequenino Borg com seus 17 anos jogar contra Rod Laver no Ibirapuera. Assistido John Newcombe contra Guilhermo Vilas, no Ibirapuera. Assisti Connors contra Hank Pfister que sacava muito, também no Ibirapuera.

Com 14 anos, na época, fui sparing e treinei com nada menos que Guilhermo Vilas, Raul Ramires, Ilie Nastase e Jaime Fillol (anos depois ganharia dele em Roland Garros), também no Ibirapuera. Quando era um garotinho, eu ficava fascinado. Era como uma criancinha vendo o castelo da Disney pela primeira vez.

Nessa época o jogo era mais diversificado, os jogadores tinham mais características predominantes, como saque e voleio, jogadores de fundo com muito topspin, jogadores mais clássicos com maior variedade de golpes. As situações como um ótimo approach de slice e rede apareciam mais. Muitas raquetes ainda eram de madeira e o jogo era mais lento e elaborado. Muito bonito de ver.

Quando ganhei o Banana Bowl 18 anos em 1981, era a época de Lendl, McEnroe, Noah, Willander e suecada, ainda Connors e outros. Fora os mais agressivos, predominava muito o estilo dos filhotes de Borg (Willander, Sundstron, Nistron e outros) com longas trocas de bolas de topspin, jogando 2 metros atrás da linha de fundo, com exceção de Edberg, que era um monstro no saque e voleio (o melhor voleio de backhand da história do tênis). Edberg jogava muito bem em qualquer tipo de piso, mas sempre buscando a rede, muito bonito de ver. Também Boris Becker com super potente saque e voleio e tremendo forehand. Grandes jogos entre Becker e Lendl, com suas características opostas.

Lendl começou a se movimentar de forma bem mais dinâmica, cruzando as pernas na movimentação, ao invés de ficar pulando lateralmente e ficando mais em cima da linha deixando o jogo mais rápido. Jogava cortando bem mais os ângulos em sua movimentação e pegando a bola na subida.

Ivan Lendl protagonizou grandes rivalidades, principalmente com Boris Becker

O começo da grande mudança na época veio de Lendl, que até aulas de ballet incorporou ao seu treinamento. Aulas de muito alongamento também. Lembro muito bem dessa época, por que em um Orange Bowl em Miami, treinava com o querido Paulo Cleto e ele me fez comprar um livro de alongamento que tenho até hoje (stretching, escrito por Bob Anderson, ainda atual). Raquetes de grafite, carbono, fibra de vidro, cerâmica, aros maiores cooperaram para as mudanças, sem dúvida deixando o jogo mais rápido. Os potentes jogadores de fundo, com suas incríveis respostas de saques começavam a dominar. O jogo começava a ficar muito igual.

Meu irmão Jaime teve uma vitória incrível contra Lendl em 5 sets, no torneio de Roland Garros nessa época. Anos 90, Inesquecível. Com certeza ele teve grande influência na galera a seguir (Agassi, Sampras, Courier, Chang e outros) que começavam a jogar um jogo bem mais rápido, mais potente, com as raquetes também ajudando muito com todos os materiais modernos na época. Também os espanhóis Bruguera, Moya, Ferrero, Sanches e outros detonavam.

Até o começo dos anos 90 Agassi e Sampras dominavam até aparecer nosso fantástico Guga Kuerten e dar um nó nessa galera. Lembro do primeiro Roland Garros que ele ganhou e vários outros títulos, inclusive ganhando do Federer que era seu freguês e começava sua trajetória que ninguém imaginaria na época.

Federer apareceu para mudar tudo, jogava em qualquer piso, um talento absurdo que levava até as lendas do tênis sentarem ao lado da quadra para assisti-lo. Um tempo a seguir aparece touro Nadal, Djokovic, Wawrinka, Murray, Del Potro (que voltou com tudo de novo).

Federer com seu primeiro troféu de Wimbledon em 2013

Federer era o cara a ser caçado, foi durante um tempo, ficou no vazio por um período e os outros começaram a alcançar o nível de seu jogo, principalmente explorando seu backhand, aguentando as trocas de bola do fundo até que ele perdesse a confiança e começasse a errar. Até que apareceu do passado Edberg e auxilia-lo a renovar-se novamente dando início a fase 2 do novo Federer. Esse fez o suíço alterar seu jogo, mudou para uma raquete um pouco maior e lhe mostrou que deveria usar o saque e voleio, vindo mais à rede, dando uma nova cara ao jogo novamente.

A moda pegou e outros jogadores começaram a buscar ex campeões como Murray com Lendl, Djokovic com Becker. Federer se renovou mais ainda e contratou Ljubicic, que além do saque e voleio fez o suíço melhorar mais ainda seu backhand, tornando-se um jogador praticamente imbatível quando está bem, elevando o nível do jogo num patamar jamais visto, deixando os outros jogadores como o touro Nadal a ver navios.

Temos agora também os NextGen, Zverev, Thiem, Shapovalov, Goffin, Tiafoe e outros que estão aparecendo para mudar o jogo num futuro próximo, mas estes ainda têm que escrever seus capítulos na história do tênis. E todos terão que elevar seu nível novamente e descobrir uma maneira de ganhar do suíço quando joga seu melhor. Acho um pouco difícil. Mas o tênis continua a evoluir.

Agora me diz, como não escrever sobre o Federer? O suíço criou um enorme capitulo na história do esporte! E continua a escrever capítulos. Ganhou Xangai, neste domingo Basileia espetacularmente contra um monstro Del Potro e marcou 95 torneios ganhos!

Não quero que isso acabe tão cedo pois está um show. Pena que pela idade sabemos que principalmente Federer está em seus últimos anos. Mas vamos que vamos. Espero que tenham gostado dessa singela retrospectiva.

Aguardo a todos juntamente com meu irmão Alexandre em nossa clinica no Club Med de Mogi das Cruzes de 3 a 10 de janeiro para muito tênis, muitas conversas e troca de experiências. Um grande abraço e até a próxima!

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.