Reprodução Twitter/Rafaholics

Tive a sensação nessa final, que o sentimento do Touro Miúra foi de missão cumprida.

Rafael Nadal é um verdadeiro guerreiro do nosso esporte e para mim o maior coração de campeão de todos os tempos. A determinação, a garra de lutar todos os pontos independentemente do placar, a obstinação pela vitória, são incríveis. E agora também mostrou ainda mais a capacidade de evoluir e reinventar-se.

Sou muito fã do Federer, mas que seus fãs me desculpem, o coração do Nadal é maior. Daí me perguntam, por que? Explico: Por todas as dificuldades de lesões que teve, umas 4 vezes e voltou a jogar em alto nível em todas, inclusive agora tornando-se número 1 do ranking e vencendo o US Open 2017.

Será que Federer com as mesmas dificuldades que Nadal teve, faria o mesmo? As pessoas não tem ideia de como é difícil o circuito profissional de tênis. Outro questionamento: Mas Federer tem 19 Grand Slams e Rafa tem 16. Então Roger é melhor? Dúvida minha: será que se Nadal não tivesse se lesionado, teria ganhado mais Slams? Será que ele ainda não alcançará o Federer?

Em termos de talento, sem dúvida ROGER é incomparável. Mas um campeão não é só feito de talento amigos. No começo do ano, não estava gostando de como Rafa estava jogando. Estava mais do mesmo, passando bolas e sem tanta iniciativa, começando a perder o respeito dos mais jovens que estavam indo para cima dele.

Mencionei inúmeras vezes nas colunas anteriores, que Nadal deveria ser mais agressivo, pois possui golpes de sobra para isso, que precisaria alternar seus posicionamentos para receber saque dificultando os grandes sacadores, que precisaria melhorar o aproveitamento do seu primeiro saque e que deveria procurar mais a rede pois voleia muito bem. Aliás com os golpes de fundo que aplica, vir à rede está sendo somente para cumprir tabela. Mas agora, está sacando e voleando as vezes também!

Domínio na rede durante o segundo set:

Saque e voleio no match point:

No começo deste torneio já começava a ver o ensaio das alterações e o jogo que marcou para mim essa confirmação e confiança foi contra o Leo Mayer. Depois que quebrou o saque no 14o. break point, Rafa decolou. As peças do quebra cabeça estavam fazendo sentido.

Contra Del Potro depois de perder o primeiro set, vimos a certeza da decisão. Soltou o braço, movimentando o argentino, não permitindo que ele montasse mais na sua base para disparar as bazucas de forehand. Del Potro tem a melhor direita do circuito, mas batendo na corrida tem suas dificuldades. Fiquei muito feliz em ver Del Potro entre os tops de novo, que é o lugar que merece.

Rafa jogou incrivelmente agressivo, usando todo seu arsenal, disparando inúmeros winners, principalmente seu forehand paralelo, e eu particularmente fiquei feliz por ver o que comentei funcionando muito bem.

Na final contra Anderson, Rafa não sofreu ameaça em nenhum momento inclusive não proporcionando nenhum break point ao seu adversário. O canhoto de Mallorca teve aproveitamento de 100% das vezes que veio à rede.

Enfim, o resultado de um fantástico trabalho com seu time, o tio que o motiva e auxilia constantemente em sua evolução. Que ele continue a ser esse exemplo para todos, do incansável guerreiro de nosso esporte!

Parabéns ao grande Touro Miúra. Um abraço e até a próxima!

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.