Divulgação ATP World Tour

Sem dúvida foi bem interessante observar essa garotada abaixo dos 21 anos numa exposição incrível criada pela ATP, no sentido de motivação para esses novos talentos do tênis mundial. As mudanças testadas também foram interessantes, mas em alguns itens não apreciei muito. Vamos comentar isso primeiro.

Muitas mudanças ao mesmo tempo. Não gostei da nova regra em não existe mais o Let ball e sim valendo o ponto. Acho que tira um pouco a expectativa, suspense de quem está assistindo no sentido, olha ele terá uma segunda oportunidade.

Na questão dos juízes, infelizmente isso já vinha sendo comentado que a tecnologia suplantaria a presença do juiz de linha. Triste no lado humano, pois várias pessoas perderão seus empregos, mas terão que se recolocar no mercado de alguma maneira e provavelmente a ATP deve estar pensando nisso.

A questão do coach (treinador dar instruções), penso que deveria ser liberado, pois os jogadores gastam muito dinheiro com sua equipe, lembrando as equipes de Fórmula 1, passam mais tempo com a turma do que com sua família e na hora do jogo não pode conversar? Para mim isso deveria ficar a critério do jogador, pois cada um tem sua preferência. Alguns jogadores preferem falar mais com seus técnicos, outros menos, ou em momentos importantes, enfim, a critério do jogador.

Em relação aos sets curtos. Ainda estou meio na dúvida. Ao mesmo tempo que dá mais dinâmica no sentido de os jogadores serem obrigados a agirem muito mais rápido, com estratégias bem agressivas, no outro lado, mina a capacidade de reação dentro do set. Para quem realmente gosta de assistir tênis, ficou meio rápido demais.

Os games em no ad, penso que é uma boa, pois quem está sacando tem a obrigação de sacar bem e as oportunidades estão sob seu controle. Todos os sets em tie-breack, penso que poderia ser introduzido nos Grand Slams já. Isso daria uma bela reduzida no tempo de TV.

Em relação a garotada, todos talentosos, características diferentes, mas observamos que estão ainda em formação para serem os futuros ídolos. Irei me ater aos que me chamaram mais a atenção.

Cantei a bola no último Podcast Backhand Na Paralela que o Ice Chung ganharia pelo motivo de estar acompanhando essa galera ultimamente e perceber que além de ter um jogo muito sólido e agressivo, tem uma confiança fora do normal. O sul-coreano tem que evoluir mais no saque, principalmente no seu segundo serviço que carece um pouco mais de colocação.

Chung venceu o torneio invicto. Foto: Divulgação ATP

Outra coisa que gostaria de ver, é que o campeão em Milão viesse mais vezes à rede pois voleia muito bem. Mas a confiança do tenista da Coreia do Sul é monstruosa. Os outros ainda vemos algumas oscilações emocionais em decisões, mas o Chung não tem essa, achou o espaço, bate com tudo. Também muito frio, por isso “Ice” Chung, ganhando ou perdendo o ponto mantém o mesmo semblante, lembrando a atitude de Bjorn Borg.

Shapovalov ainda está meio que sonhando com esse novo mundo que se abriu em sua vida, ainda digerindo tudo isso. Tem tempo para trabalhar todos os aspectos como observar mais os momentos importantes de ir para a bola ganhadora (ainda estoura muito). Aperfeiçoar sua resposta de saque, principalmente no backhand. O que gostei bastante é que ele já melhorou um pouco seus voleios. Gigante potencial.

Shapovalov era a grande promessa do torneio, mas caiu na fase de grupos.

Coric é um jogador muito versátil, mas dá uma bambeada nas horas importantes, penso que poderia ser um pouco mais agressivo do fundo. Também vir mais à rede pois voleia com presteza.

Rublev, o vice-campeão, tem uma potência gigante do fundo, principalmente com seu big forehand. O russo tem que evoluir seu primeiro saque, pois tem um percentual baixo de acerto, tendo que jogar muitas vezes recuado logo de cara. Também algumas vezes joga o mesmo ponto 3, 4 vezes, explico. Fica dando pancadas do fundo de quadra, colocando o adversário em cheque e não vem à rede, muitas vezes errando bolas que não deveria.

Penso que seu treinador deveria motiva-lo a vir mais à rede, pois voleia bem, principalmente vindo à rede depois dos potentes golpes que disfere. Uma coisa que tem que trabalhar urgente é seu lado emocional, perdendo a cabeça muito facilmente, mandando muitos jogos que poderia sair vencedor pelo ralo.

O russo Rublev perdeu a cabeça na grande final contra o “Ice” Chung.

O Quinzi, que jogador habilidoso, grata surpresa italiana, ganhou um convite para a chave principal, mostrou seu talento. Muito forte fisicamente, está em todos os lados da quadra, tem um tremendo backhand, precisa melhorar seu forehand que muitas vezes fica curto nas trocas de bola, abrindo janelas para seus adversários. Voleia muito, com certeza veremos ele evoluindo rapidamente no ranking.

Penso que essa garotada e seus treinadores deveriam observar muito os dois grandes mestres do tênis atual: Federer e Nadal. Principalmente Roger Federer que vem ditando as mudanças nestes últimos 20 anos!

Bem, vimos a garotada jogar e agora os grandes estarão em ação no ATP Finals de Londres. Gostaria também de convida-los para assistirem meus vídeos em minha nova página do Facebook Edu Oncins. Show e até a próxima pessoal!

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.