Impressionante o suíço na final do Masters 1000 de Xangai. Verdadeira aula para o Nadal. Quando pensei que ele não conseguiria elevar seu nível de jogo a altura que jogou no começo do ano, eis que o gênio dá o ar da graça.

Jogou como se adorasse jogar contra o espanhol, sentiu-se em casa. Nadal não conseguiu neutralizar as entradas de Roger na quadra, tentou ficar à frente sendo mais agressivo, não deu certo, tentou ir mais para trás, não deu certo.

Roger estava em mais um dia abençoado, aproveitou todas as chances de entrar e atacar Nadal, mesmo errando algumas vezes. Aproveitou todas as oportunidades que teve com bolas um pouco mais curtas e foi para cima finalizando com voleios precisos ou com erros do espanhol sentindo a pressão.

Ficou claro que entrou na quadra decidido no que faria, seria agressivo o tempo todo.
A bola que mais lhe incomodava antes, o topspin de Nadal em seu backhand, virou uma de suas melhores bolas, disparando tiros tanto na cruzada como na paralela.

Neutralizou o jogo do espanhol que parecia um cachorro perdido no meio da multidão. Fez com que Rafa tivesse que sair de sua zona de conforto, tendo que atacar bem mais, cometendo erros.

Seu Forehand, disparou de todo jeito, atacando, contra-atacando, inside out, fez chover com esse golpe. No saque, impressionante, sacou muito, inclusive ganhando um game inteiro com aces!!! Dava para ver a cara de Nadal, como se dissesse, amigo hoje o negócio é rezar para o capeta sair do corpo desse cara, se não, vou cumprimenta-lo novamente no final.

Com Federer jogando como jogou, realmente é imbatível, ainda mais em melhor de 3 sets contra Nadal, onde o suíço sabe que pode gastar todos seus cartuchos com o jogo mais curto.

Nadal teve um torneio impecável, jogou muito bem todos os jogos. Está em uma ótima fase e nos brinda estando aí, firme, e pelo jeito ainda tem muita lenha para queimar e o desafio de achar uma forma de ganhar do Federer.

Roger foi ganhando confiança aos poucos, nesse torneio em especial, lembrando uma sinfonia de Beethoven, onde na final atingiu o ápice da obra com todo seu vigor.

Na entrega da premiação, os dois rindo e enaltecendo a grande amizade e respeito que ambos compartilham mutuamente. Muito legal de ver. Nós agradecemos o espetáculo e eu ficando mais uma vez de queixo caído. Federer, gênio dos GÊNIOS.

Um abraço e até a próxima.

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.