Divulgação Wimbledon

O que mais falar do Federer? Vamos voltar duas rodadas antes da final:

Jogo de quartas contra o Raonic

Respostas de saque incríveis do Roger, quebrando as pernas do Raonic mesmo com o canadense talvez tendo jogado uma de suas melhores partidas com incríveis jogadas e saindo sorrindo satisfeito e acenando para o público no final.

Federer conseguia antecipar indo para a frente e lado certo. Incríveis respostas de saque, principalmente aquelas que Raonic sacava aberto na direita no deuce. Roger conseguia se espichar aproveitando a velocidade da bola pegando na frente e a bola voltando tão rápida quanto no saque, deixando muitas vezes o canadense sem reação.

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Raonic também sacando na esquerda e vindo à rede tomou inúmeras bolas no seu pé tendo que subir a bola levando passada na sequência. Quando Raonic vinha à rede, Federer optava muitas vezes, por soltar o braço no corpo do canadense não lhe dando espaço para o voleio, ganhando inúmeros pontos assim. Raonic se atrapalhava , errava ou deixava sobrar a bola para uma passada na segunda bola. Milos, jogador dedicado, melhorou muito sua movimentação e mostrou que está faminto pelo jogo.

Jogo seguinte, semifinal contra Berdych

Roger entrou tenso, respeitando o poderoso jogo de fundo de quadra do tcheco. Para mim, foi o jogo mais difícil do torneio para o Fed. Berdych entrando na vibe, “não tenho nada a perder”, soltou o sarrafo, jogando bem agressivo e vindo inclusive à rede atrás de um grande golpe de fundo de quadra. Sacou e voleou algumas vezes inclusive.

Federer perdeu vários pontos quando ia para o jogo franco na velocidade no que Berdych mais gosta, acelerar de fundo. Em muitos pontos quando cruzavam direitas, o vice-campeão de 2010 finalizava com um winner. Daí a diferença e versatilidade do arsenal de ferramentas do Fed. Usou o slice para quebrar o ritmo, alternando com aceleração. Sacou diversificando para não deixar Berdych em posição confortável, inclusive sacando muito no terceiro set onde seu rival teve inúmeros break points seguido de um ace, saque ganhador ou saque e voleio do tenista da Basileia. Show do Fed!

Decisão contra Cilic

Final de Wimbledon, quadra central, casa completamente lotada, Federer em sua décima primeira final no torneio, rosto sereno, focado, já conhecendo bem o clima. Cilic chegando à final depois de uma grande campanha, onde jogou muito tênis nos outras partidas, inclusive com uma atuação gigante contra Querrey nas semifinal.

Início de jogo, Federer mostrando claramente que estava mais a vontade do que Cilic na quadra sacando muito bem, quebrando o saque do croata e ganhando com facilidade o primeiro set. Cilic já aparentava um certo nervosismo no início do segundo set, cometendo alguns erros bobos e deixando Federer a vontade soltando cada vez mais seu jogo e abrindo 3/0. Virada de lado e bomba! Cilic vai aos prantos chamando assistência, mas claramente em pânico. Ninguém chora daquele jeito por algum incomodo no pé.

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Muitos jogadores jogam torneios inteiros com bolhas, pequenas entorses ou outros. O que Cilic teve fisicamente não foi grave, se fosse, ele não iria conseguir correr até o termino do jogo como correu. Estava claro que entrou em uma insegurança fora do normal. Passou o resto do jogo tentando equilibrar-se emocionalmente. Cometia erros forçados direto. Segurou o braço diversas vezes sem confiança.

Inclusive no terceiro set, Federer começou a trocar mais bolas com Cilic, meio que aguardando seu erro, no que Cilic esboçou uma leve reação. Mas Fed, acelerou de novo e foi buscar seu oitavo troféu e marcar seu nome como o maior ganhador da história de Wimbledon.

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Por favor, não me entendam mal, isso pode acontecer. Por “N” motivos o jogador pode sentir o momento. Aconteceu com vários jogadores, por exemplo Ana Ivanovic e outros. Espero que Cilic se recupere emocionalmente, trabalhe o que aconteceu em sua cabeça e se fortaleça.

Voltando ao Federer, sou fã incondicional dele,  muito provavelmente para não dizer quase impossível, veremos alguém repetir seus feitos. É sem dúvida o mestre dos mestres, mostrando tudo o que é possível no jogo, quebrando recordes e conceitos antigos, inovando constantemente.

Está inteirinho e pelo jeito veremos muito mais dele ainda esse ano. Vida longa ao rei Roger Federer!

Um abraço e até a próxima.

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.