Crédito: Luke Hemer/Tennis Australia

Bom pessoal apesar do título na coluna estar o Federer primeiro vou deixar para logo mais, pois o assunto será mais longo. Não tem como! Realmente os australianos foram brindados com esse torneio. Duas finais inesquecíveis. Feminina e Masculina.

O duelo das duas favoritas e guerreiras

Halep levou a pior mais uma vez, com seu físico deixando na mão! Apesar da luta fantástica, ficou óbvio que em determinados momentos, o reflexo não estava mais lá, nem a cabeça. Tentou ser mais agressiva, mas encontrou do outro lado um verdadeiro paredão e sinônimo de determinação.

Normalmente não gosto do jogo da Wozniacki que basicamente ficava trocando cruzadas o jogo inteiro esperando por um erro de suas adversárias. Fiquei bem surpreso. Penso que ela descobriu uma nova jogadora dentro dela, quando principalmente no primeiro set, fez um jogo bem agressivo, mandando nos pontos e com a batida notoriamente mais pesada que Halep.

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A dinamarquesa buscava os espaços depois de trabalhar bem o ponto não permitindo que Halep ficasse parada comandando o jogo. A partida equilibrou-se quando Wozniacki percebendo que poderia levar o troféu, oscilava entre atacar ou ficar na troca de bolas com Halep.

Quando ficava só na troca, deixava o jogo duro e quando resolvia atacar a história ficava sempre mais difícil para Halep. Penso que Halep poderia ter surpreendido mais a rival se viesse à rede depois da deslocadas que fazia, pois voleia muito bem. No fundo de quadra, no mano a mano, Wozniacki acabou ganhando no físico e no peso de bola.

Vida longa a nova rainha Caroline Wozniacki, primeiro título de Grand Slam e primeiro lugar no ranking da WTA.

O Mestre dos Magos Roger Federer!

Vamos voltar um pouco na semifinal contra Ice Chung. A verdade é que Roger entrou com estratégia perfeita, decidido, não queria abrir ângulos a Chung. Sabia que o sul-coreano adora bater bolas na corrida e apostou na falta de experiência do campeão do ATP Next Gen Finals.

Roger entrou colocando muita pressão, atacando e indo para a batida franca, mas sem abrir ângulos. Apostou que Chung tentaria ir para muito e apostou certo. Uma das bolas que Chung mais gosta de bater é a direita cruzada (bola que matou Djoko), sem ângulo, acabou virando uma bola de risco e consequente erro. Na troca quando sobrava, Roger abria a quadra para a bola ganhadora, ou vinha à rede.

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Fed atacou sem dó o segundo saque de Chung (fundamento que sempre comentei que precisa evoluir, o saque). Perfeito. O sul-coreano ficou perdido, pois foi neutralizado no seu ponto forte. Penso que além de ter ficado perdido no jogo, Ice Chung fez as contas na sua cabeça, estava machucado (Vi as fotos e tinha realmente buracos de bolhas nos pés, muito feio), já havia perdido o primeiro set, fora o baile, sabia que não iria aguentar uma longa batalha e pediu para sair. Não tenho dúvidas que veremos muito de Ice Chung ainda.

Cilic no jogo contra Edmund, entrou como um trator que não queria muito papo. Mandou o inglês para casa num jogo agressivo e contundente. Fiquei feliz em conhecer Edmund, com certeza um grande talento amadurecendo, quero ver mais dele nos próximos torneios.

A grande final

Roger muito inteligente e estrategicamente genial, começou com pressão total em Cilic, apostando em refrescar a memória do gigante, do que havia sido em Wimbledon. Realmente funcionou no primeiro set com Marin mais perdido que uma azeitona na boca de um banguela. Também Roger sabia que seria muito importante sair na frente e deu 150% para ganhar contundente o primeiro set.

Cilic não desabou e conseguiu manter sua cabeça firme, tentando entrar no jogo custe o que custasse, agarrando toda oportunidade possível. Com o mestre dos magos Fed perdendo um pouco a intensidade no segundo set, o tenista da Croácia viu uma possível janela e apostou todas as suas fichas ganhando a segunda parcial.

Mas a linha era muito tênue, Cilic sabia que qualquer queda de rendimento sua, seria pista aberta para o Super Fed. Cilic foi um gigante até o primeiro game do quinto set, onde teve varias oportunidades de quebrar o saque de Roger e sair na frente com um break. Com uma atuação incrível digna de Roger Federer, o Mestre recuperou e fez seu saque. A chance escapava pelas mãos do Gigante.

Roger jogando um game impecável, quebra o saque do gigante em seguida, o caminho para o mestre dos magos se abriu, e o resto todos assistiram. A história do tênis continua a ser escrita por esse ser humano diferenciado. A história que tenho certeza que ninguém quer que acabe. Roger virou sinônimo de super man, onde sempre a história acaba com o herói vencendo e todos felizes.

Sempre falo que quando esse cara nasceu, papai do céu falou: você terá o dom de fazer o que quiser com a raquete.  E mais que isso, a inteligência privilegiada, sempre com estratégias perfeitas. Fico realmente muito impressionado com a capacidade que ele tem de mudar estrategicamente quando necessário percebendo os momentos do jogo antes que qualquer outro.

As jogadas que pareciam mágica, como os bate prontos que faz com mísseis e voltam mais rápidos e colocados ou os drop shots que consegue realizar com perfeição no meio de uma troca de tiros. Faz os voleios parecer brincadeira de criança. Também sua personalidade e carisma, mostrando a todos sua gratidão pelo apoio e o amor incondicional pelo tênis. Bem, são 20 Grand Slams de simples por enquanto e o ano apenas começando.

Confesso que chorei junto com ele, ao ver suas lágrimas que tentou segurar, mas a emoção era mais forte e generosamente compartilhou com todos nós esse momento mágico de alegria. Um privilégio poder assistir tudo isso. Vida longa ao Mestre dos Magos Super Roger Federer!

Que essa história se prolongue mais um pouco né?

Abração e até a próxima.