Suíço complçeta 36 anos nesta terça-feira. Divulgação: Wimbledon

Desde a primeira vez que vi o Federer jogar, quando tinha uns 18 anos em Monte Carlo, me impressionei. A sua habilidade, o arsenal completo de golpes, a facilidade com que executava as jogadas mais difíceis era incrível. Desde então comecei a seguir seus passos e observar o que fazia, sua evolução.

Assisti um jogo em especial no ano de 2003, na finalíssima do ATP Masters com os melhores do ano, onde jogou no grupo contra o Agassi e depois na final contra o norte-americano de novo.

Na época eu estava no México, acompanhando 2 meninas que estavam treinando no circuito profissional. No hotel, TV ligada no primeiro jogo contra o Agassi no grupo de 4 jogadores e eu não conseguia assistir ao jogo quieto, muitas vezes ficando em pé para acompanhar o final de um ponto.

Foi um dos jogos mais incríveis que assisti na época com Federer ganhando no terceiro set e depois uma declaração do Agassi: “Joguei o melhor tênis da minha vida, mas na minha melhor jogada o Roger ainda tinha mais duas jogadas na manga. Não havia nada que eu pudesse fazer. Parabéns, Roger”. Essa foi a declaração do Agassi. Na final, os dois se enfrentaram de novo. Federer ganhou mais fácil, em sets diretos, e conquistou o título da finalíssima do Masters.

Federer jogava rápido, em cima da linha e com uma movimentação perfeita. Vinha à rede, mas não com tanta frequência, pois sua antecipação sempre foi incrível. Sempre um ou dois passos à frente de seus adversários.

Dessa época em diante o Federer era o cara a ser batido, o final da régua onde todos se baseavam como referência máxima de jogo. Vieram Nadal, Djoko, Murray e um tempo depois Federer começou a ser alcançado e derrotado mais vezes.

Os jogadores que citei em especial, começaram a fazer frente ao seu jogo de fundo e reparar que algumas jogadas o incomodavam, como a bola carregada de top spin do Nadal em sua esquerda. Insistindo, ele começava a espirrar essa bola e sua confiança desabava. Passou um tempo meio no vácuo, parecendo que estava em busca de uma solução. Perdeu o posto de melhor do mundo e muitos questionavam a respeito de sua aposentadoria.

Nesse tempo, eu conversava sempre com meus alunos a respeito, que não me conformava dele não estar alterando um pouco sua estratégia de jogo e procurar mais a rede, pois voleia muito e não tinha necessidade de ficar trocando inúmeras bolas de fundo de quadra, se desgastando muito e correndo o risco de cair na mesma cilada das espirradas.

Foi quando apareceu o santo Stefan Edberg e começou a tão esperada mudança de estratégia. Excelente escolha para Federer, vindo exatamente para o que ele precisava. Mudou a raquete do Roger, para um aro um pouco maior e fez com que ele viesse mais à rede.

O saque sempre bem colocado, ganhou mais potência, também motivando Roger a vir mais à rede. Começou a ganhar mais fácil seus games de saque tirando parte da pressão e lhe dando a oportunidade de ser bem mais agressivo no saque do adversário. Bingo! Federer voltou a ganhar confiança e vitórias novamente.

Fiquei impressionado no último Aberto da Austrália como o tenista da Basileia jogou agressivo e como mudou seu backhand. Treinado pelo seu atual técnico Ivan Ljubicic, ainda venceu em Indian Wells e Miami. Nova excelente escolha de treinador, pois Ljubicic sempre teve saque e backhand de altíssimo nível e também um jogador bem inteligente.

Federer batia um backhand com empunhadura intermediaria (in between), que para bater a bola na altura da cintura ou baixa ok, mas para as bolas altas dificulta. Mudou para a empunhadura eastern de esquerda, uma leve mudança, nenhum bicho de 7 cabeças, para o que tinha, no que facilitou e melhorou muito seu backhand batido.

Essa alteração fez com que Roger pudesse enfiar muito mais a mão, inclusive nas bolas altas, como tem feito nas incríveis respostas de saque. Ganhou muita confiança em seu backhand, disparando verdadeiros mísseis e deixou seu jogo quase invulnerável.

Federer decidiu não jogar Roland Garros e passou um tempo treinando principalmente no seu físico. Penso que fez uma boa escolha, pois reparando agora em Wimbledon, percebi ele mais forte fisicamente e ganhou mais potência em seu saque saindo mais do chão para bater.

Jogando na grama, fica mais agressivo ainda e percebi que em alguns jogos começou tão empolgado que até exagerava errando um pouco, mais logo encontrando o equilíbrio e sendo o Roger Federer. E os swing voleys no meio de uma troca de bolas? Alucinante!

Vamos apreciar o andamento dessa última semana em Wimbledon. Minha torcida fica com Roger e que ele continue acertando em suas escolhas. Federer, uma combinação fantástica: Dom, inteligência, escolhas acertadas, vontade, prazer de jogar. Segura o cara!

Um abraço e até a próxima.

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.