Edu Oncins e seus pupilos Rafael e Eduardo Brant, ambos com 13 anos de idade

Hoje vamos falar desse momento, o mais importante para a possível formação de um jogador profissional.

Essa é a fase onde se estrutura muito mais fácil, tanto na parte mecânica, técnica, emocional e psicológica. É a fase que se bem feita criará o caminho para uma possível carreira. O jogador nesta idade de 11 anos, sai da fase da criança onde as coisas até então eram mais na diversão propriamente dita e começa a ficar mais sério. A competição começa a ter peso.

O direcionamento que o técnico tem de dar aos golpes, a instrução dos treinos, a carga horária, o olho clínico, características do jogador, a percepção do que passa na cabeça de seu pupilo e como trabalha-la, a necessidade de um posicionamento dos pais em relação ao técnico e jogador, bem essas chaves e outras mais que poderão abrir o baú e o tesouro ser descoberto.

Vamos falar um pouco a respeito disso: Em relação aos golpes, nessa fase já é possível identificar algum ou alguns golpes mais fortes.

O trabalho do técnico é fazer com que os golpes fortes ganhem cada vez mais corpo. Exemplo se o jogador tem um ótimo saque, este tem de ser treinado sempre, enaltecido no sentido de bater com confiança, soltar o braço sempre. Tem de ser lapidado, trabalhando os ângulos da quadra, diferentes efeitos, momentos estratégicos para a utilização dos mesmos. Mas nunca, e isso é um nunca, pedir que seja somente colocado a bolinha na quadra para não cometer erros. Isso tira a confiança e quebra o prazer no golpe.

Isso, na verdade, em qualquer golpe. Nessa idade, tudo está muito intocado no jogador, fresco, a influencia do treinador é enorme, pois o jogador acreditará em tudo pela falta de vivência da idade. Muito provavelmente o que o treinador falar ira tomando força na cabeça do jogador, tanto no positivo como no negativo. A não ser que o jovem já tenha uma personalidade muito forte e discernimento maduro a respeito do seu jogo, o que é raro nessa idade, ira levar ao pé da letra o que o treinador falar. Por isso da importância dos pais escolherem bem quem ira treinar seus filhos. É um pecado vermos possíveis talentos sendo mal aproveitados. E isso acontece muito.

Também essa é a hora de preencher as lacunas, trabalhar as possíveis vulnerabilidades e transforma-las em golpes sólidos e fortes também, antes que possíveis vícios se instalem, tanto técnicos quanto psicológicos. Tudo está fresco e fácil de ser trabalhado ainda.

É o momento onde se observa a formação da característica da personalidade do jogador. Ele mesmo começara a mostrar se gosta de sacar e volear, de ficar mais no fundo, atacar com a direita, de bater e seguir à rede, enfim o jogador começará a aparecer, e isso precisa ser extremamente respeitado, pois é a personalidade do jogador que vem à tona, e não deve ser quebrada. O treinador tem de ter a sensibilidade e olho analítico, clínico em trabalhar em cima dessa personalidade, fortalecendo-a e preenchendo o jogo cada vez mais.

Principalmente quando meus irmãos e eu tínhamos nossa academia Oncins Tennis, tivemos diversos garotos e garotas que vinham de todo o Brasil, na idade de 15, 16, 17 anos, alguns com um super talento, mas com um grande buraco em algum golpe. Um trabalho absurdo para conseguir melhorar o que não estava tão legal, mas incomparável com o que já estava bom. A sequela fica nítida, onde nas horas de pressão o ponto fraco ficava evidente.

Dos 11 aos 13 anos tudo é bem mais fácil, a partir disso vai ficando cada vez mais difícil de deixar um trabalho sólido sem sequelas que dificultem a formação de um possível jogador profissional.

Dentro disso o trabalho psicológico, motivacional do treinador em fazer com que o jogador acredite em seu jogo, lhe passe e motive no sentido de decidir o jogo, tomando a iniciativa e comando do jogo, elevando e regando sua confiança é fundamental. A construção de uma ou varias estratégias bem definidas e estudadas com consciência de como o jogador deve utilizar seus golpes é crucial para o desenvolvimento.

No tênis, o tempo é muito precioso. Os treinos precisam ser observados em carga horária e ter seu melhor aproveitamento. Tem de ser observado quando é possível trabalhar com maior intensidade e aproveitamento do jogador.

A percepção, tipo hoje posso trabalhar com muita intensidade e a resposta será positiva, ou, hoje é melhor trabalharmos algo mais pontual, para resultados mais rápidos e sólidos. Logicamente ir treinando a resiliência e passar a importância da dedicação aos treinos e a importância do tempo bem aproveitado na quadra.

O lado de ensinar o jogador a ter foco no que esta treinando e não perder tempo com reclamações ou desculpas. Assim conseguira fortalecer seu caráter e sentir-se cada vez mais seguro, assumindo as responsabilidades do que acontece com ele na quadra. Dessa maneira aprendera a lidar mais facilmente com as pressões de um jogo de tênis e a elevar sempre sua performance mesmo em momentos difíceis da partida.

Tenho certeza que tudo isso como aprendizado, também o auxiliará no caminho da vida. No tênis, você que joga, resolve, decide, não da para passar a bola para o companheiro fazer o gol…

Espero que essa matéria possa ter clareado um pouquinho essa fase tão importante para a formação dos jovens possíveis jogadores e talvez a descoberta de grandes tesouros.

Um grande abraço e até a próxima!