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Dimitrov jogou uma semana sólida mostrando grande regularidade e principalmente mais amadurecimento emocional. Sem dúvida um grande jogador com excelentes golpes e super atlético. O que pega nele a maior parte das vezes, é na hora de decidir sua cabeça ir ao céu e ao inferno ao mesmo tempo e muitas vezes perder oportunidades de grandes resultados.

Isso é um fator que os grandes não perdoam, principalmente com os 5 primeiros, onde o jogador talvez terá uma ou duas grandes oportunidades durante uma partida. Esse fator que os diferencia pois podem oscilar 1 vez, mas no ponto seguinte já é vida nova, página virada.

Essa semana e neste domingo na final também observei um Dimitrov reagir rapidamente quando num 30 a zero meteu um segundo saque no meio da rede, dando uma dupla falta, em seguida jogando um grande ponto, 40 a 15 metendo uma direita 4 metros fora da quadra e fechando o jogo no 40 a 30, com Kyrgios errando uma bola fácil. Bom, contra Kyrgios, oscilou 2 vezes para fechar, talvez contra um dos 5 não tenha as mesmas oportunidades. Torço, por ele pois joga um lindo tênis.

Kyrgios, com seu impressionante talento, fez excelente semana em Cincinnati, com duelos bem difíceis, mas ficando no jogo e mostrando decisões firmes na hora que precisava. Na final, percebi o jovem de 22 anos um pouco mais nervoso do que nos outros jogos, tentando não ser irresponsável.

Taticamente não jogou bem, ficou muito no fundo, no que claramente estava mais desconfortável que o búlgaro, também não entendi por que como todo bom australiano não veio mais à rede. Quando tentou, insistiu em approachs na cruzada e voleou mal, principalmente na direita do Dimitrov.

Kyrgios ainda precisa organizar-se mais, tem muito arsenal, mas muitas vezes aperta o botão equivocado. Mas no geral gostei mais, vamos torcer para que ele continue a querer melhorar, principalmente ficando cada vez mais com sua cabeça no jogo, sem espanar e com a boca fechada.

Muguruza transpirou confiança nesta semana, regando essa valiosa plantinha do acreditar o tempo inteiro. Pensei que na primeira rodada com a Bia sentiria um pouco, mas mostrou que não queria conversa e foi para o jogo franco. Aliás é o que sempre tem que fazer. Seu jogo rende e quanto mais agressiva mais seu jogo encaixa. Mostrou essa semana que está bem consciente disso e vai para o US Open como uma das grandes favoritas ao título.

Halep, mais uma vez perdendo a oportunidade de ser a number one. Jogou bem em Cincinnati, sendo mais agressiva em seus jogos, mas péssima na final, talvez com o fantasma do trono da liderança assombrando seus pensamentos.

Estou ansioso para assistir o último Grand Slam do anon em NY, pois teremos a volta do Federer, torcendo que volte faminto e com seus problemas equacionados. Nadal, se não conseguir ser mais agressivo e começar a procurar a rede um pouco mais também, vai ser engolido, mesmo sendo melhor de 5 sets. A garotada está perdendo o medo de jogar contra ele. O espanhol precisa expandir um pouco seus horizontes. Venho falando isso já a algum tempo. Também os Next Gen com muita fome de bola e com certeza em busca de seus nomes na história com a conquista de um possível Grand Slam.

Bom até a próxima e com muito tênis pela frente. Grande abraço!

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.