Divulgação ATP World Tour

Sem dúvida foi uma semana inesquecível para Dimitrov e Goffin

Vamos falar um pouquinho de cada um antes da final. Goffin primeiro: Ganhou de Nadal e Federer numa mesma incrível semana. Nadal infelizmente ficou claro que estava tendo dores no joelho, principalmente mais para o final do jogo onde não conseguiu esconder que estava mancando.

Também não consigo entender o espanhol, por que insiste em começar sempre trocando inúmeras bolas e não sendo mais agressivo logo de cara, criando uma situação muito mais difícil do que se usasse todo o arsenal que possui. Espera que a coisa se complique para começar a fazer alguma coisa. Mas dessa vez seu joelho não permitiu reação.

Não podemos tirar o mérito de Goffin, que já demonstrava um jogo bem mais agressivo que o normal, dando sinais do que aprontaria para Federer. Contra Roger jogou super inteligente. Pelo retrospecto, todos esperavam mais do mesmo, com o suíço ganhando fácil em 2 sets, como no último confronto.

Nada disso, ao invés de jogar somente trocando bolas do fundo numa mesma velocidade, Goffin não deu ritmo ao suíço, alternando velocidades e colocando Roger para correr. Jogou alternando trocas de bolas, com repentinas acelerações fazendo com que o suíço não conseguisse entrar em jogo. Dominou e atacou bastante com seu forehand, também vindo muitas vezes à rede finalizando o ponto. No segundo saque de Federer, atacou com vontade, sabendo da necessidade de mandar no jogo, colocando pressão em Roger.

O suíço não estava nos seus melhores dias, errando bastante seu backhand e não conseguiu elevar o nível no seu melhor estilo. Goffin ao contrário, elevou seu nível de jogo num dia feliz, arriscando e dando muito certo.

Crédito: Fabrice Coffrini/AFP

Dimitrov tem demonstrado claramente o resultado de um trabalho intenso que vem realizando com sua equipe, principalmente no lado emocional e mental. Todos sabem do potencial e talento do búlgaro, mas ele sempre esbarrava na mesma tecla, perdendo muitos jogos para ele mesmo. Perdeu vários jogos tendo inúmeros match points. Vimos cenas um tempo atrás com ele espatifando raquetes em notável descontrole emocional, inclusive entregando jogos.

Neste ano, vimos um Dimitrov amadurecido, muitas vezes lutando no meio do jogo com seus demônios, caindo de produtividade em horas importantes, as vezes perdendo um pouco as rédeas, mas em seguida retomando o controle e jogando com mais decisão. Foi assim com Sock na semifinal e também na final contra Goffin.

A grande final

No início da final contra Dimitrov, Goffin começou decidido a mandar no jogo, bem agressivo e aproveitando as oportunidades parecendo que não iria abrir janelas para o búlgaro. Com um jogo inteligente, vindo para a rede no meio de trocas de bolas, quando Dimitrov começava utilizar slice de backhand, ganhando muitos pontos finalizando nos voleios.

Também conseguiu quebrar o saque de Grigor e parecia que seria implacável no jogo. Chegou a abrir 4/2 no primeiro e me pareceu que começou a pensar um pouco. Dimitrov mesmo atrás no placar apostava que Goffin não conseguiria manter a intensidade por muito tempo. Estava decidido a jogar todos os pontos, percebeu a oportunidade, quebrou de volta e mandou no resto do primeiro set.

No segundo set, Goffin voltou com intensidade e foi para cima novamente, sacou muito bem, variando bastante e com um percentual de primeiro saque bem alto. Inclusive fazendo saque e voleio várias vezes pegando Dimitrov de surpresa, que insistia em somente bloquear a resposta, principalmente com slice de backhand. Fugia com eficiência do seu backhand para mandar no jogo com seu forehand bem agressivo. Atacou muito o segundo saque do búlgaro.

O terceiro set começou com muita intensidade na parte mental, com games disputadíssimos até Dimitrov quebrar o saque de Goffin no 3/2 e fazer 4/2. Grigor passou a dominar os pontos batendo mais seu backhand, aprofundando as bolas e depois buscando seu forehand para atacar. Dimitrov, sempre que precisou, se defendeu muito bem usando seu backhand slice, mostrando uma movimentação bárbara. Usou bastante o mesmo golpe de slice variando com bolas baixas na direita de Goffin mudando a direção, forçando Goffin a puxar o topspin, criando oportunidades para atacar o belga.

Teve 5/2, 0/40, 3 match points no saque de Goffin, com o belga recuperando-se no game e fazendo 3/5.  Daí mostrou a maturidade e o resultado do seu trabalho, manteve a calma num game disputado e fechou o jogo. Uma vitória com todos os méritos e acabando o ano como número 3 do mundo.

Foto: Divulgação Nitto ATP Finals

2018 vai pegar fogo!

Com certeza a próxima temporada promete muito para Goffin e Dimitrov, pois mostraram que conseguiram elevar seus jogos a um novo patamar. Falando em próximo ano, mal posso esperar para assistir ao Australian Open, com todos esses jogadores novos num excelente nível e todos que retornarão. Djoko, Murray, Wawrinka, Nishikori, Raonic, etc. Preparem-se que a coisa não será nada fácil.

Um abração e até a próxima!