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Escrevendo a coluna anterior sobre tênis corporativo, deixei um vazio, julgando a situação, mas não dando a solução, rs. Logicamente que não posso generalizar a situação dos executivos. Sem dúvida conheço vários executivos com determinação e com muita coragem. A coragem de enfrentar os desafios que proponho e mesmo que demore um pouco, estão firmes no seu propósito.

O trabalho demanda um processo de entender, assimilar e colocar em prática. Isso não acontece do dia para a noite. Mas vamos lá. Ter confiança é adquirir um habito, e todo habito precisa ser constantemente treinado, repetido e alimentado. A referência (peso, importância) que damos as situações é fundamental para alcançarmos os resultados que queremos.

Nossa mente nos coloca constantemente em armadilhas num jogo de tênis. Temos que saber onde o bicho pega e em que situações detectar quando irão acontecer determinados pensamentos e jogar o jogo de xadrez mental adequado. Mas voltarei nisso um pouco mais adiante.

Tudo começa nos treinos. Voltando a referência do peso que damos as coisas. Cansei de treinar e também ver jogadores que no treino são top 10 do mundo e no jogo parecem top 10 mil. Quando treinam não colocam a postura mental adequada, batendo nas bolas sem um propósito claro na cabeça. Isso vale para o amador também. Quando isso acontece é treino jogado fora.

Não faz sentido ter uma postura totalmente avoada no treino, se no jogo as exigências mentais serão outras. Quando treinamos um determinado exercício 10 min., se tenho uma postura mental definida, objetivo claro e com intensidade visando o jogo, obterei muito melhor resultado do que treinando o mesmo exercício por 1 hora sem foco. Aliás, treinando muito tempo sem objetivo não estou treinando e sim cansando meu mental.

Com certeza essa é uma das razões dos jogadores estarem conseguindo ficar no circuito até depois dos 30 e poucos anos e no topo da carreira hoje em dia. Mais qualidade e eficiência e menos desgaste mental. Hoje se dá muita ênfase na parte física que é fundamental para manter a intensidade.

Nos treinos se é para treinar controle, meu foco tem que estar 100% nisso, se é para treinar soltar o braço em determinado golpe, o foco tem que estar 100% lá. Construção de uma determinada situação, exemplo num approach e finalização na rede, a mesma coisa. Tem que sempre pensar que estou no jogo executandoEssa postura me dará confiança, pois quando acontecer de ter que executar no jogo, a memória correta do que fiz no treino virá à tona.

Ok, voltando às armadilhas mentais. Toda a situação importante num jogo tem exatamente o peso (referência) que você dá para elas. Se num ponto importante você achar que é a hora mais importante da sua vida, provavelmente pesará um absurdo e isso irá te pressionar um absurdo. Se pensar que é só mais um momento como qualquer outro, talvez não pese tanto.

Uma coisa que eu sempre colocava em prática e acabou virando um hábito para mim nas horas importantes, era tirar da cabeça o peso do momento e focar totalmente no ponto. Explico, por exemplo: consigo um break point no 4 a 4 no saque do meu adversário. Tiro da cabeça que é um break point e foco 100% no ponto. Penso no que irei fazer, bater, bloquear, abaixar a bola se meu adversário saca e voleia para passar na segunda bola, um approach, enfim, decido e ponto final. Terei muito mais chances de sucesso desse jeito.

Ficar pensando no momento é colocar a energia errada e desnecessariamente um saco de 10 kg. nas costas de pressão. Outra maneira é pensar, tentar dar uma tapeada na cabeça, e imaginar que é o primeiro ponto do jogo, não menos importante, mas pensando somente no ponto.

Esses procedimentos com o tempo, irão nos levar mais as decisões acertadas e com chance de maior sucesso nas horas importantes e com certeza nos levar a ter muito mais confiança. Espero com essas dicas, poder ter ajudado um pouquinho nesse processo de obter confiança.

Lembrando que de 3 a 10 de janeiro meu irmão Alexandre e eu estaremos no CLUB MED de MOGI DAS CRUZES, ministrando uma clínica onde abordaremos vários temas, inclusive este aqui. Ansioso por vê-los.

Excelente treino a todos! Grande abraço e até a próxima.

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.