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Fui levado para o Aikido pela querida amiga Christiana Penna em 1999 treinando com o Sensei Ricardo Kanashiro até 2004, conseguindo a faixa verde na época. Deixo aqui registrado meu profundo agradecimento à Chris por ter me apresentado essa fantástica arte e ao Sensei Kanashiro pelos ensinamentos.

A partir de 2004, com a faixa verde, fui novamente apresentado pela Chris ao meu atual mestre, Sensei Roberto Maruyama. Com a permissão do Sensei Maruyama, início esse projeto.

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Com seu profundo conhecimento e incansável busca por aprimoramento, o Sensei Maruyama me apresentou um mundo de possibilidades com o Aikido. Ele segue à risca os ensinamentos deixados pelo fundador Morihei Ueshiba, inclusive traduzindo os livros deixados por ele, decifrando, estudando e passando para nós os muitas vezes enigmáticos segredos do nobre caminho da paz.

Mesmo com 18 anos de treino, sendo já 10 anos como instrutor, muitas vezes tenho que refletir para tentar compreender um pouco mais a profundidade da arte e mesmo assim tenho certeza que irei até o final da minha vida estudando.

Quando eu era jogador de tênis, treinei muitas coisas que poderiam me ajudar na performance: yoga, natação, preparo físico especifico e vários outros, alguns agradáveis e alguns chatos, mas necessários. Por exemplo, odiava ir para academia fazer musculação ou correr em esteira. Estudei muito procurando entender o que acontecia com minha cabeça, emoções, energia, sempre procurando aperfeiçoamento. Cheguei a treinar 8 horas por dia em minhas buscas para o tênis.

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No Aikido, encontrei tudo que mencionei em termos de preparo e muito mais. Quem me dera ter conhecido o Aikido com 16 anos rumando ao profissionalismo no tênis. Tenho a mais absoluta certeza que teria alcançado voos muito mais altos em minha carreira.

Como vocês estão vendo eu poderia ficar horas e horas falando sobre o assunto. Aos poucos espero ir passando mais coisas a respeito. Vamos ao assunto sinergia.

O tênis é um esporte competitivo, onde o objetivo é vencer seu oponente. Um esporte solitário e egoísta, onde num torneio você poderá enfrentar seu melhor amigo. O desafio além de conhecer-se melhor e evoluir, é enfrentar alguém que está fazendo a mesma coisa do outro lado da rede e vencer. A pressão por resultados é uma constante, nos treinos ou nas competições.

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O treino é feito através de milhares de repetições dos golpes para que passe do consciente racional, para o subconsciente automático, trabalhando a inteligência cinestésica (passar do entendimento para o corporal). A harmonia entre o pensar, decidir, agir e o equilíbrio emocional é fundamental.

A capacidade de visualizar os espaços (observar que existe tempo sem afobação, mesmo nas jogadas mais rápidas), antecipação, equilíbrio de ambos os lados do corpo, reflexos apurados, automação dos golpes, uso de estratégias adequadas, foco com determinação ferrenha.

Apesar da marcialidade, no Aikido é treinado a solidariedade entre os praticantes, sempre um ajudando o outro. Não existe a competição, a não ser ultrapassar seus próprios limites, exaltar e treinar as virtudes, aplacar os lados negativos da personalidade, vencer seu próprio ego buscando a humildade em ações e palavras, mas com firmeza, determinação e disciplina.

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O objetivo do treino não é o enfrentamento, mas sim o preparo para manter a paz num amplo sentido. Como o Sensei Maruyama fala, é melhor ser um guerreiro num jardim, do que ser um jardineiro na guerra.

Os treinos começam de uma forma lenta, procurando aprender os múltiplos movimentos e técnicas, primeiro de forma racional repetindo milhares de vezes até que passe do entendimento para o movimento corporal rápido preciso e adequado a situação.

Trabalha-se sempre com os dois lados do corpo, pois o ataque pode vir de qualquer lado e o casamento entre Uke (quem realiza o ataque) e Torí (quem recebe o ataque e executa a técnica) tem de ser harmônica. Você pode assistir a um treino de faixas pretas e observar o vigor das técnicas, sem que ninguém se machuque. Mas a mesma técnica aplicada num leigo pode ser muito nociva (daí a marcialidade se necessário visando a auto-defesa).

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Como vocês podem observar acima, muitas coisas que precisamos no tênis podemos treinar através de técnicas adaptadas do Aikido, que venho estudando há algum tempo.

O que tenho observado e estudado é que no tênis temos a rede, a bola, os jogadores e as linhas, que se conectam num contexto comparativamente distante do que no Aikido.

No Aikido, tudo acontece num contexto próximo de contato e muito rápido em qualquer espaço. As técnicas dessa arte marcial adaptadas trabalham sem a pressão da competição, tudo o que falamos acima para o tênis. O trabalho físico, mental, emocional no Aikido é trabalhado com muita intensidade e proximidade sem competição, mas sim com cooperação.

O Aikido torna-se depois de algum tempo de prática, uma meditação em movimento com todos seus benefícios. Quando temos mais espaço e mais tempo, no caso do tênis, uma vez que treinemos Aikido, na prática, teremos mais facilidade.

Tenho a mais absoluta convicção, para o tênis, bem como para outros esportes, que o Aikido pode se tornar uma ferramenta incrível. Vou me atrever a dizer que estamos sendo um pouco pioneiros neste tipo de treino. Utilizar uma arte marcial adaptada para esportes competitivos. Logicamente se a pessoa quer aprender adequadamente as técnicas de Aikido, tem que ir a um dojo, num tatame.

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Neste espaço começarei em breve a demonstrar umas adaptações de treino de Aikido para o tênis. Também apresentarei um pouco o Aikido para vocês. Além de um treino prazeroso, aprende-se a arte mais nobre de todas: a arte dos Samurais.

Samurai em japonês significa aquele que serve.

Espero que gostem e possa servir para o aprimoramento do seu tênis e outros aspectos. Em breve teremos mais novidades!

Grande abraço e até mais.

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Eduardo Oncins
Como profissional participou de todos os Grand Slams, integrou a equipe da Copa Davis em 1982 e com 15 anos já tinha pontos na ATP. Além do tênis é faixa preta de Aikido e utiliza várias técnicas da arte marcial como ferramenta para o desenvolvimento de tenistas.