Arquivo pessoal Edu Oncins

Bom pessoal uma das coisas muito legais de ter jogado no Circuito foram as viagens. Muitos lugares, muitos amigos e vivência impagável.

A história da minha primeira ida à Austrália e Ásia começa um pouco antes no ano de 1981, quando eu tinha 16 anos e logo depois de ter ganhado o Banana Bowl 18 anos, recebi um convite do querido amigo e representante Jack Denver, para ir treinar no Laver´s Raquet Club (resort que levava o sobrenome do lendário Rod Laver, único a ganhar por 2 vezes os 4 Grand Slams no mesmo ano), e que pertencia a Ian Laver (primo de Rod) e um sócio canadense. Lugar maravilhoso com mais de 50 quadras de tênis.

Aceitei o convite e fui fazer uma temporada intensiva de treinos. Lá fui treinado por Brian Laver (primo de Rod também) e algumas vezes tive a honra e o prazer de conhecer e conversar com o próprio Rod Laver, onde recebi inúmeras dicas que mantenho em minha memória até hoje. Outra pessoa incrível também era Jimmy Sheppard, uma lenda australiana nas duplas.

Fiz uma amizade gigante com meu treinador Brian e todos os outros amigos australianos. Acabei sendo adotado por eles e tinha o Laver´s como meu local de preparação. O australiano é muito parecido com o brasileiro, povo muito simpático e hospitaleiro. Aprendi muito lá e fiz inúmeros amigos, muitos que cultivo até hoje, principalmente Brian Laver, que considero família.

Arquivo pessoal Edu Oncins

Fui pela primeira vez à Austrália e Ásia quando tinha 17 anos (faço aniversário em dezembro). O ano era dezembro 1982. Completei 18 anos lá. Minha preparação no Laver´s antes de viajar ao outro lado do mundo eram 5 sets de manhã e 5 sets a tarde, mais preparo físico. Chegava a combinar com 3 jogadores diferentes por dia. Treinava como um louco e amava tudo. Mas isso é assunto para outra matéria.

Depois de muito treino, Brian Laver (meu treinador na época) e eu, fomos rumo ao outro lado do mundo. Os torneios que joguei foram: Melbourne (Indoors rápida), Brisbane (grama), hoje seriam Challengers grandes, depois fui à Tokyo (Super Seiko), Bangkok e Taipei (onde vi numa feira em um bairro que se chamava Snake Alley, um cara cortar uma cobra e beber o sangue). Neste tour não tive muito sucesso, conseguindo chegar a algumas finais de quali. Era muito novo e os torneios bem duros.

De volta a Austrália joguei o Open que na época era em Melbourne (quadras de grama) no Kooyong Lawn Tennis Club, Victoria State. Perdi no quali, mas no ano seguinte em 1983 voltei e me classifiquei para a chave principal perdendo para o inglês John Lloyd. Fiquei triste quando mudaram o Australian Open para Brisbane, pois o clube de Melbourne era lindo com um charme especial e em quadras de grama maravilhosas.

Meu treinador tinha uma fazenda em Brisbane na região de Upper Broockfields e eu muito bravo nessa primeira vez sem muito sucesso, corria pelas montanhas 1 hora por dia e depois umas 5 horas de quadra. Até plantei um monte de coisas na fazenda que era rodeada por árvores de noz macadamia, uma delícia.

No ano seguinte, em 1983, mais experiente e com bons resultados no circuito europeu, voltei e me classifiquei para a chave principal do Australian Open, cheguei à semifinal em Sydney e semifinal em Perth (Challengers). Também joguei o torneio de Adelaide antes de Perth, um torneio exibição em Gold Coast e outro em Rockampton.

Dois episódios engraçados

  • Fui de carro de Melbourne para Adelaide com os amigos irmãos Fancutt, Charlie e Michel ( Charlie computava uma vitória sobre Ivan Lendl em Wimbledon), onde caçamos coelhos selvagens no caminho e alternando motoristas na viagem, me passaram a direção no meio da noite. O resultado foi que dirigi 4 horas no caminho errado enquanto os dois dormiam, rs.
  • Do torneio de Adelaide para Perth tinha uma semana livre e resolvi ir de ônibus para conhecer o deserto, rs. Vi a barreira de corais e depois deserto, deserto e mais deserto, quase 2 dias, chegando em Perth sem saber onde estava a cabeça e o outro lado, rs.

Fiz amizade com todos os jogadores australianos que sempre encontrava nos futuros torneios. Por pouco não fui morar na Austrália. Ótimas lembranças. Poderia escrever muito mais a respeito, mas ficaria muito longo.

Bom turma, esse foi um pedaço das muitas histórias de quando eu jogava. Fico por aqui, abração e até a próxima!