Jelena Ostapenko, campeã de Roland Garros 2017. Foto: FFT/Twitter @RolandGarros

Entrevistas pós-título são sempre cansativas: as mesmas perguntas, repetidas várias vezes em sotaques diferentes, o mesmo sorriso e respostas cuidadosamente pensadas – e repetidas à exaustão. Mas com uma campeã de primeira viagem, jovem e ainda não tão experiente, às vezes conseguimos algumas respostas mais verdadeiras.

Foi o caso com Jelena Ostapenko, a letã de 20 anos recém-completados que assombrou o mundo com uma campanha impecável na edição 2017 de Roland Garros. Com um golpe de direita fortíssimo e sem muito plano tático, Ostapenko surpreendeu, na final, a romena Simona Halep por 2 sets a 1, de virada.

E foi a “falta de tática” o segredo da vitória, como poderia ter sido a razão da derrota. Atrás no placar por 1 set e 0-3 no segundo, Jelena contou que começou a bater sem medo e sem compromisso. “Gosto de bater forte e ir para as linhas, para o fundo. Pensei que não tinha nada a perder, então só vou bater winners. Se eu errar, tudo bem.

Só que as bolas fortes e fundas de Ostapenko começaram a entrar e a incomodar a romena. “Ela tem apenas um golpe. O problema é que este golpe estava entrando. Às vezes eram dois metros pra fora, às vezes em cima da linha.” comentou Halep “Em um certo momento eu fiquei de espectadora na quadra“.

E Ostapenko pode creditar parte deste aproveitamento ao trabalho da treinadora Anabel Medina Garrigues, especialista em saibro que começou a trabalhar com a letã no qualifying do torneio de Stuttgart, em Abril. Jelena furou o qualy, mas perdeu na primeira rodada para a americana Coco Vandweghe.

E um dos trabalhos principais de Anabel tem sido administrar a vontade e o ímpeto de Ostapenko: “Ela tem golpe poderosos, mas muitas vezes quer fechar o ponto em duas trocas de bola“, contou ao site da WTA antes da semifinal.

A própria Ostapenko reconhece que precisa trabalhar este lado, que quase lhe custou o título. “Eu preciso praticar mais meu saque e minha direita. Eu estou cometendo muitos erros não forçados. Então, se puder corrigir isto, vai ser muito bom.

Os winners foram a chave para a vitória – mas os erros não forçados quase custaram o título.

Quanto às respostas repetidas, a que mais se ouviu foi:

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Jeff Paiva
Jornalista e publicitário, cobriu esportes de 1997 a 2005 por veículos como Tennis View, Terra e UOL. Aprendeu a jogar tênis depois de anos cobrindo o esporte e entendeu que é bem mais complicado jogar do que falar. Ainda assim, fala muito - aqui e no podcast Backhand Na Paralela.